Só 2,7% dos brasileiros investem em renda variável, mostra a B3
A B3 contou 5,7 milhões de CPFs em renda variável no fim de junho de 2026: cerca de 2,7% da população e 1 em cada 18 pessoas que trabalham.

No fim de junho de 2026, a B3, a bolsa de valores do Brasil, tinha 5,7 milhões de CPFs em renda variável. O número está em comunicado da própria bolsa, divulgado em 17 de setembro. CPF é o número de cadastro de cada pessoa, e a B3 conta pessoas por esse registro.
Renda variável é o grupo de aplicações cujo valor muda com o mercado, como ações e fundos de índice, os chamados ETFs. Esses papéis podem perder valor. Quedas fortes também podem se aprofundar em pânico.
Quanto isso pesa no país
Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o país tinha 214.211.951 habitantes em 1º de julho de 2026. Os 5,7 milhões de CPFs equivalem a cerca de 2,7% desse total. Dito de outro modo, há cerca de um investidor da B3 para cada 38 pessoas.
No trimestre de junho a agosto, a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua) do IBGE registrou 103,5 milhões de pessoas ocupadas, ou seja, com algum trabalho. Os mesmos 5,7 milhões de CPFs equivalem a cerca de 5,5% dessas pessoas.
Investidores da B3 frente à população e ao trabalho Em milhões de pessoas; CPFs em junho de 2026; IBGE em julho de 2026 e no trimestre de jun. a ago. de 2026
| Base de comparação | Milhões | Os 5,7 mi de CPFs são |
|---|---|---|
| População do país | 214,2 | 2,7% |
| Pessoas ocupadas | 103,5 | 5,5% |
| CPFs em renda variável | 5,7 | — |
Fonte: B3 (comunicado de 17/09/2026); IBGE (estimativa da população e PNAD Contínua). Elaboração: redação.
Quem entra: base cresce, mas o saldo costuma ser pequeno
A base subiu de 5,5 milhões de CPFs, em dezembro de 2025, para 5,7 milhões no fim de junho de 2026, segundo a B3. O valor em custódia, ou seja, guardado na bolsa, chegou a R$ 656,3 bilhões. Dividido pelo número de CPFs, isso dá uma média de cerca de R$ 115 mil por investidor.
A média esconde a distribuição. Em março de 2020, 54% dos investidores pessoa física tinham até R$ 10 mil em carteira, contra 44% em 2011, segundo estudo da B3. É o recorte mais recente por faixa de saldo que conseguimos ler na página da bolsa.
O mesmo estudo mostra a idade dos investidores. A faixa de 25 a 39 anos passou de 28% da base, em 2017, para 49%, em 2020. A B3 também aponta o Sudeste, o Sul e o Distrito Federal como as regiões com mais investidores.
Os fundos de índice atraem mais gente. Eram 639 mil CPFs com ETFs em junho de 2025. No fim de junho de 2026, eram 862 mil, alta de 34%, segundo a B3.
Quem negocia: estrangeiros dominam o volume
Até 16 de abril de 2026, investidores estrangeiros responderam por 61,2% dos negócios da bolsa. Investidores institucionais, como fundos e bancos, somaram 24,5%. Pessoas físicas ficaram com 11%. Os dados são compilados pela B3.
Quem fez os negócios na B3, de janeiro a 16 de abril de 2026 Participação no total de negócios, em %
| Grupo | Participação |
|---|---|
| Investidores estrangeiros | 61,2% |
| Investidores institucionais | 24,5% |
| Pessoas físicas | 11,0% |
Fonte: B3, via Bora Investir (22/04/2026). Os três grupos somam 96,7%; a fonte não detalha o restante. Elaboração: redação.
Esses números medem quem negocia, não quem é dono das empresas listadas. Nos textos consultados, a B3 não informou a fatia de posse de cada grupo sobre as ações.
O que diz a B3: No comunicado de 17 de setembro de 2026, a bolsa afirma que “a base passou de 5,5 milhões de CPFs em dezembro de 2025 para 5,7 milhões no segundo trimestre de 2026”. A B3 não foi entrevistada para esta reportagem; a posição vem do comunicado.
O que isso significa
Pelos números, a bolsa ainda é o investimento de uma minoria. Cerca de 5,5% das pessoas ocupadas têm CPF em renda variável. A base cresce, mas, em 2020, a maioria dos investidores tinha até R$ 10 mil aplicados.
Os dados mostram quem está na bolsa, mas não mostram quanto cada um ganha. Para isso, seria preciso o relatório trimestral completo da B3, com recortes de renda e de estado, que não conseguimos ler na íntegra. Renda variável pode perder valor. Esta reportagem não recomenda nenhum investimento.
Como fizemos: Usamos o comunicado da B3 de 17/09/2026 (2º trimestre de 2026), a nota da B3 de 22/04/2026 (dados até 16/04/2026), o estudo da B3 de maio de 2020 e as estimativas do IBGE: população em 1º/07/2026 (divulgada em 28/08/2026) e PNAD Contínua de jun. a ago. de 2026 (divulgada em 29/09/2026). Acessos em 26/10/2026. Cálculos da redação: 5,7 milhões divididos por 214,2 milhões (2,7%) e por 103,5 milhões (5,5%); custódia de R$ 656,3 bilhões divididos por 5,7 milhões (média de R$ 115 mil). A comparação junta um dado de fim de junho com uma média trimestral, e o número de CPFs é arredondado. Não usamos a mediana de saldo nem os recortes por renda e estado do relatório completo da B3, por isso a análise não diz quem tem mais renda.
Fontes
- Comunicado da B3: “ETFs ganham 223 mil investidores em um ano e alcançam 862 mil CPFs na B3” (17/09/2026)
- B3: perfil das pessoas físicas, com estudos sobre investidores (acesso em 26/10/2026)
- B3: notícias sobre pessoas físicas, com o estudo de 19/05/2020 (acesso em 26/10/2026)
- Bora Investir (B3): investidor estrangeiro chega a patamar recorde de participação na B3 (22/04/2026)
- Poder360: Brasil chega a 214,2 milhões de habitantes em 2026, diz IBGE (28/08/2026)
- DGABC: População ocupada chega a 103,5 milhões, a maior da série histórica, afirma IBGE (29/09/2026)
- Wikimedia Commons: São Paulo Stock Exchange (0001 17).jpg (licença CC0)


