Flávio não aceita vitória de Lula; OAB pede respeito às urnas
Flávio Bolsonaro diz que não reconhece a reeleição de Lula e pede anulação. OAB, TSE e MP Eleitoral se manifestaram sobre a votação prorrogada.

Na noite de domingo (25), o senador Flávio Bolsonaro (PL) disse que não reconhece o resultado do segundo turno. Ele afirmou que vai pedir a anulação da eleição. Lula foi reeleito com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% de Flávio, com 100% das urnas apuradas.
Votos válidos são os votos dados a candidatos, sem contar brancos e nulos. Segundo o InfoMoney, Lula teve 64.256.232 votos, e Flávio, 59.826.041. Instituições e lideranças reagiram nas horas seguintes, com posições diferentes.
Por que a votação foi prorrogada
O ponto de partida foi uma decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF). Às 17h03, ele estendeu a votação até as 19h em todo o país, segundo o Poder360. A extensão atendeu a um pedido da campanha de Lula.
A campanha de Flávio também tinha pedido mais tempo de votação, em 19 cidades de São Paulo, Paraná e Santa Catarina, segundo o Poder360. Depois, Zanin esclareceu que a extensão valia só para locais com urnas ainda abertas, segundo o Poder360 e o O Antagonista.
O que Flávio alega
Flávio disse que a decisão quebrou a igualdade entre eleitores. “Houve uma quebra total de isonomia entre os brasileiros de diversas cidades e de diferentes estados”, afirmou, segundo a Gazeta do Povo. Ele também disse que fiscais do PL foram retirados da sala-cofre durante a apuração.
As reportagens consultadas não apresentam provas dessas denúncias. Elas também não dizem que os votos tenham sido alterados.
O que diz Flávio Bolsonaro: “É impossível reconhecer o resultado das eleições no contexto como essas coisas aconteceram.” Ele disse também: “Nós vamos usar o nosso jurídico, vamos pedir a anulação dessas eleições.” Fonte: Gazeta do Povo, fala de 25/10/2026.
O que dizem o TSE e o MP Eleitoral
O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, disse que a decisão liminar (provisória) tomada após o fim da votação “gerou dificuldades ao processo eleitoral”. Segundo o Metrópoles, ele também afirmou que a decisão não alterou a contagem final.
O Ministério Público Eleitoral, que fiscaliza as eleições, se manifestou antes da decisão. O vice-procurador-geral eleitoral, Alexandre Espinosa, enviou parecer ao TSE às 17h01 pedindo a manutenção do fim da votação às 17h, segundo a Exame. O texto reconhecia a gravidade das denúncias sobre transporte de eleitores e dizia que os fatos deveriam ser apurados depois.
OAB, Congresso e governadores
A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) parabenizou Lula e cobrou respeito ao resultado, segundo o Congresso em Foco. O presidente nacional, Beto Simonetti, disse: “Encerrada a votação, o respeito à decisão das urnas deve prevalecer sobre as divergências políticas.” Segundo O Povo, ele afirmou que “a democracia se faz com respeito às suas próprias regras”.
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, falou em “pacificar e unir os brasileiros e fortalecer as instituições democráticas”. Ele também chamou a votação de “a decisão livre e soberana do povo brasileiro, sufragada nas urnas”, segundo nota do Senado.
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), criticou a decisão de Zanin, mas não contestou o resultado. Em publicação no X, ele disse que a decisão “exige explicações claras sobre seus fundamentos e sua execução”. Ele escreveu ainda: “A democracia se fortalece com regras claras, respeito às instituições e transparência em cada etapa do processo eleitoral.” Segundo A Crítica, dirigentes do Republicanos, do MDB e do União Brasil reconheceram a vitória de Lula.
O que segue em aberto
Até a publicação desta reportagem, não encontramos registro do pedido de anulação no TSE. Também não achamos reação pública de Lula ao não reconhecimento de Flávio.
As falas têm um ponto em comum. Nenhuma das declarações citadas questiona a contagem dos votos. A divergência está na decisão de Zanin, tomada a pedido das duas campanhas. Quem avaliar que houve falha terá de levar a questão à Justiça.
Como fizemos: Reunimos falas e notas publicadas em 25 e 26 de outubro de 2026 pela Gazeta do Povo, pelo InfoMoney, pelo Metrópoles, pela Exame, pelo Poder360, pelo O Povo, pelo Congresso em Foco, pela OAB Nacional, pelo Senado Federal, pelo O Antagonista e pelo A Crítica, acessadas em 26/10/2026. Os percentuais e votos são os divulgados pelas reportagens, com base na apuração do TSE. Não tivemos acesso ao texto integral do parecer do MP Eleitoral nem ao pedido de anulação. Não houve contato direto com Flávio Bolsonaro para este texto; as falas citadas são as publicadas.
Fontes
- Flávio não reconhece resultado da eleição e diz que pedirá anulação ao TSE — InfoMoney
- Flávio Bolsonaro diz que vai pedir anulação da eleição — Gazeta do Povo (25/10/2026)
- Nunes Marques diz que decisão de Zanin não alterou resultado da eleição — Metrópoles (25/10/2026)
- STF atropela TSE e prorroga eleição em 2h — Poder360 (25/10/2026)
- MP Eleitoral diz contra prorrogação da votação, mas STF amplia prazo até as 19h — Exame (25/10/2026)
- OAB Nacional acompanha apuração do segundo turno das eleições no TSE — OAB Nacional (25/10/2026)
- Presidente da OAB defende respeito ao resultado das urnas — O Povo (25/10/2026)
- Davi Alcolumbre parabeniza Lula pela reeleição e defende união nacional e respeito à democracia — Senado Federal (25/10/2026)
- Decisão de Zanin exige explicações claras, diz Tarcísio — O Antagonista (25/10/2026)
- Centrão reconhece vitória de Lula e se afasta de contestação feita por Flávio Bolsonaro — A Crítica (26/10/2026)



