Transparência

Boletim de urna: como conferir o resultado da sua seção no TSE

Cada urna imprime um boletim com os votos da seção. Veja como conferir no TSE e o que garante o resultado da eleição de 25 de outubro.

Urna eletrônica modelo UE2020, com tela apagada, teclado numérico e teclas BRANCO, CORRIGE e CONFIRMA. Ao lado, um visor menor ligado por cabo.
Urna eletrônica modelo UE2020, máquina que emite o boletim de urna ao fim da votação. Foto de 2021.Foto: Antonio Augusto / TSE / Wikimedia Commons (domínio público)

No domingo (25), o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) confirmou a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno. Ele teve 64.256.232 votos, ou 51,79% dos votos válidos. Flávio Bolsonaro (PL) teve 59.826.041 votos, ou 48,21%. A diferença foi de 4.430.191 votos.

Flávio Bolsonaro disse que não reconhece o resultado e que vai pedir a anulação da eleição. Para conferir os números, não é preciso confiar apenas em declarações. O eleitor pode checar o boletim de urna (BU), o documento que registra a votação de cada seção.

O que é o boletim de urna

O BU é um relatório que cada urna eletrônica gera ao fim da votação. Ele mostra quantos votos cada candidato recebeu naquela seção, além dos brancos e dos nulos. Segundo a Agência Brasil, cada urna imprime o documento em cinco vias.

Uma via fica afixada na própria seção, em local visível. Um servidor do TRE-RJ, citado pela Agência Brasil, descreve o boletim como um documento público que fica na porta da seção eleitoral. Cada BU também traz um QR code, que dá acesso aos dados digitais.

Partidos também recebem cópias. A Lei 9.504/1997, art. 68, §1º, obriga o presidente da mesa a entregar cópia aos partidos e coligações que pedirem, até uma hora após a emissão.

Como conferir a sua seção

Primeiro, descubra a zona e a seção em que você vota. Esses números estão no título de eleitor, no e-Título e no Autoatendimento Eleitoral, segundo o Investnews.

Depois, entre no Portal Resultados e clique em “Arquivos de Urna”, no canto superior direito. Escolha estado, município, zona e seção, e abra o boletim. O aplicativo Boletim na Mão lê o QR code, e em 2026 a função também está no e-Título, no menu “mais opções”. Os dados podem ser comparados com os publicados em resultados.tse.jus.br.

Para quem quer todos os dados

O TSE publica os boletins de todas as seções no Portal de Dados Abertos. A página de 2026 traz os arquivos por estado e turno, em formato CSV compactado. A licença é Creative Commons Atribuição (CC BY). Na nossa consulta, a página listava os arquivos do primeiro turno; não localizamos os do segundo no texto consultado.

Cada estado tem também um arquivo de hash SHA-512. O hash funciona como uma impressão digital: se um dado mudar, a impressão muda. Quem baixa o arquivo pode calcular o hash e comparar com o publicado. A própria página avisa que o Excel não abre arquivos muito grandes por inteiro.

O que certifica o resultado

Nenhum documento sozinho certifica a eleição. A checagem combina o papel, os dados digitais e os testes. Segundo a Agência Brasil, que cita um dirigente do TRE-RJ, a totalização é a soma de todos os boletins.

Antes da votação, o TSE faz o teste de integridade, chamado tecnicamente de votação paralela. Urnas sorteadas recebem votos simulados, anotados em cédulas de papel. Segundo o Correio 24 Horas, o resultado eletrônico deve ser idêntico à soma das cédulas.

Flávio Bolsonaro citou a decisão do ministro do STF Cristiano Zanin, que estendeu o horário de votação em todo o país. Também afirmou que fiscais do PL foram retirados da sala-cofre. Segundo a Infomoney, essas acusações ainda não foram comprovadas.

O que diz o TSE: O tribunal publica os boletins de urna de cada seção no Portal de Dados Abertos, com arquivos de hash para conferência. Não localizamos resposta do TSE às declarações de Flávio Bolsonaro; o tribunal não foi procurado para esta reportagem, e a posição vem de sua página pública.

O que isso significa

A checagem está aberta a qualquer eleitor. Com o boletim em mãos, é possível refazer a soma da própria seção. A soma de todas as seções forma o total do TSE.

O pedido de anulação, se for formalizado, cabe à Justiça Eleitoral.

Como fizemos: Usamos reportagens de Gazeta do Povo, Metropoles, Vatican News e Infomoney sobre a totalização do segundo turno, a Lei 9.504/1997 no Planalto e a página de dados abertos do TSE de 2026, acessados em 26/10/2026. A diferença de 4.430.191 votos é cálculo nosso, feita pela subtração dos totais divulgados. Não consultamos os arquivos do segundo turno nem boletins de seções específicas.

Fontes