Investigações

Flávio contesta derrota e TSE nega saída de fiscais da sala-cofre

Flávio Bolsonaro vai pedir anulação da eleição e afirma que fiscais do PL saíram da sala-cofre; o TSE diz que a afirmação é falsa.

Placa 'Tribunal Superior Eleitoral' em frente à sede do tribunal, em Brasília, com prédio de vidro escuro ao fundo e estrutura de palco coberta por lona.
Sede do Tribunal Superior Eleitoral, em Brasília, fotografada em 2020.Foto: Roque de Sá / Agência Senado / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

Na noite de domingo (25), logo após a apuração, o senador Flávio Bolsonaro, do Partido Liberal (PL), disse que não reconhece o resultado. Ele afirmou que vai pedir a anulação da eleição. Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi reeleito com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% de Flávio, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) citados pela imprensa.

Flávio apoiou o pedido em duas alegações. A primeira trata de uma decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Cristiano Zanin, que estendeu a votação até as 19h. A segunda diz que fiscais do PL, representantes do partido que acompanham a votação, foram tirados da sala-cofre, onde ficam servidores e bancos de dados do sistema.

Duas alegações, uma nota do TSE

Sobre a prorrogação, Flávio disse: “Não vou aceitar que essa regra tenha mudado em cima do jogo” (Gazeta do Povo). Segundo a Agência Brasil, porém, a medida atendeu a pedido das duas campanhas, inclusive a de Flávio. Não encontramos manifestação de Zanin sobre a declaração.

Na segunda-feira (26), o TSE respondeu em nota. Segundo o Portal Terra, o texto diz que “é falsa a alegação de que representantes do Partido Liberal teriam sido removidos da sala”. Dois fiscais do PL acompanharam o Teste de Integridade das Urnas e a apuração na Sala de Totalização, onde os votos são somados (TVT News). O tribunal cita registros de presença e filmagens como prova.

O que diz o TSE: Em nota publicada na segunda-feira (26), o tribunal afirma que a alegação sobre a retirada de fiscais do PL é falsa, e cita registros de presença e filmagens como prova. Nas reportagens consultadas, não há resposta pública de Flávio Bolsonaro à nota.

O presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, disse que a prorrogação não mudou o resultado final (Brasil de Fato).

Um discurso que vem de antes

A tese sobre as urnas já circulava antes da votação. Em 21 de julho, Flávio disse a diplomatas que urnas da empresa venezuelana Smartmatic também teriam sido usadas no Brasil (Poder360). O TSE respondeu que a empresa presta serviços de dados e voz, mas nega usar urnas ou programas dela.

No dia seguinte, a Federação Brasil da Esperança, da qual faz parte o Partido dos Trabalhadores (PT), pediu ao TSE multa de R$ 30 mil contra Flávio e a remoção de publicações (Bandab). A ação cita também Eduardo Bolsonaro, que repetiu a tese em 23 de julho (Poder360). Não encontramos decisão do TSE sobre o caso.

Em 19 de agosto, a Agência Pública identificou dez influenciadores investigados por desinformação ou tentativa de golpe que seguem ativos na campanha. Um deles, Allan dos Santos, chamou as urnas de “inauditáveis”. A reportagem classifica a afirmação como falsa, porque as urnas passam por auditorias.

Sobre dinheiro, a Pública lembra que Fernando Lisboa, hoje candidato a deputado estadual pelo PL em São Paulo, recebeu R$ 200 mil em recursos públicos de campanha do partido em 2022. Esse valor, segundo a reportagem, foi usado para impulsionar anúncios e gerir redes. A reportagem não documenta verba de partido ou pública para as publicações sobre urnas de 2026.

O padrão não é novo. Em 2022, depois do segundo turno, a Aos Fatos documentou teorias de fraude e contas de deputados bolsonaristas suspensas por espalhá-las.

O que segue em aberto

Está documentado que o TSE desmentiu a afirmação sobre a sala-cofre, com registros de presença e filmagens. Nenhuma das fontes consultadas traz prova de fraude. Seguem em aberto a ação contra Flávio e o pedido de anulação, que depende da Justiça Eleitoral.

Como fizemos: Reunimos reportagens e checagens publicadas entre julho e 26 de outubro de 2026, acessadas em 26 de outubro. Os percentuais vêm de reportagens que citam o TSE; não localizamos o boletim oficial completo, por isso não publicamos totais absolutos. Não houve contato prévio com Flávio Bolsonaro nem com o TSE; a posição do tribunal é a de sua nota.

Fontes