Gastos públicos

Ibovespa fecha em queda de 13,88% após reeleição de Lula

O Ibovespa caiu 13,88% e o dólar subiu cerca de 8,2% na segunda-feira (26). Os juros futuros também subiram com força, o que pesa no custo da dívida pública.

Operadores de costas diante de painéis com cotações em vermelho e verde na Bolsa de Valores de São Paulo.
Operadores diante dos painéis de cotações do pregão da Bolsa de São Paulo, em foto de arquivo de 2007, não do dia 26 de outubro.Foto: Rafael Matsunaga / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

Na segunda-feira (26), o Ibovespa fechou em queda de 13,88%, aos 176.608,23 pontos, segundo o InfoMoney. No mesmo dia, o dólar comercial subiu 8,25%, para R$ 5,403. O movimento veio um dia depois da eleição, vencida por Lula com 51,79% dos votos válidos, segundo a CNN Brasil.

Os números mostram um choque forte, concentrado em uma sessão. Eles também mostram um ponto que costuma ficar fora da manchete: o custo da dívida pública.

O que é cada indicador

O Ibovespa reúne as ações mais negociadas da B3, empresa que administra a bolsa paulista. O dólar comercial é a cotação usada nas trocas com o exterior. Os juros futuros são taxas negociadas hoje para vencimentos daqui a anos. Quando sobem, indicam que o mercado exige mais juros para emprestar ao país. Na sexta-feira (23), o Ibovespa havia fechado em 205.082,56 pontos, segundo o InfoMoney.

O pregão parado

O Ibovespa futuro, contrato que antecipa o índice, abriu em queda de 14,84% às 9h04, segundo o InfoMoney. Às 9h57, a B3 acionou o circuit breaker, mecanismo que suspende as negociações por 30 minutos. Foi a primeira vez desde março de 2020, segundo a B3, citada pelo InfoMoney. O pregão voltou por volta das 10h35, conforme a Bora Investir, site da própria B3.

Ao longo do dia, o índice chegou a 169.516,43 pontos, perda de mais de 17%, segundo a CNN Brasil. O dólar atingiu R$ 5,605 às 9h47, alta de 12,25% no pico, de acordo com o InfoMoney.

Juros futuros e a conta da dívida

Os juros futuros subiram com força em toda a curva. O DI para janeiro de 2031 fechou em 15,24%, com alta de 2,665 pontos percentuais, segundo o InfoMoney às 18h. O DI é a taxa média dos empréstimos entre bancos, usada como referência. A CNN Brasil registrou 15,185% para o mesmo vencimento, com alta de 2,54 pontos percentuais.

Principais números do dia Leituras indicadas por cada fonte, em 26/10/2026

Indicador Valor Fonte e horário
Ibovespa 176.608,23 pts (-13,88%) InfoMoney, 17h15
Dólar comercial R$ 5,403 (+8,25%) InfoMoney, 17h05
DI janeiro de 2031 15,24% (+2,665 p.p.) InfoMoney, 18h00
CDS de 5 anos 151,7 pontos (+26%) Money Times, 15h29

O risco do país também subiu. O CDS de cinco anos, um contrato que funciona como seguro contra calote da dívida pública, avançou 26%, para 151,7 pontos, segundo o Money Times. É o maior nível desde junho de 2025.

Por que isso importa para o contribuinte? O Tesouro Nacional cobre parte das contas do governo com a venda de títulos. Quando as taxas sobem, os títulos vendidos a partir daí pagam mais juros. O efeito sobre a dívida já existente é gradual, porque ela vence em prazos diferentes. Em julho, a dívida bruta do governo geral chegou a 82,5% do PIB, ou R$ 10,9 trilhões, segundo o Banco Central.

Quem está na bolsa

A bolsa não representa o país inteiro. No fim do segundo trimestre, a B3 contava com 5,7 milhões de pessoas físicas (CPFs) na renda variável, que são ações e outros ativos com preço que sobe e desce. O IBGE estimou 214,2 milhões de habitantes em 1º de julho de 2026. Ou seja, cerca de 2,7% da população estava nesse grupo. A conta da dívida, porém, sai do Orçamento, que vem de impostos e de nova dívida.

O que diz a B3: Em comunicado citado pelo InfoMoney, a bolsa informou que o circuit breaker foi acionado pela primeira vez desde março de 2020. Nas fontes consultadas, a B3 não fez outra declaração sobre a queda.

O que isso significa

O choque de hoje é forte, mas ainda não diz por quanto tempo vai durar. Ativos podem perder valor, e quedas desse tipo podem se aprofundar. Para o contribuinte, o ponto central é o custo da dívida. Com juros futuros mais altos, o governo tende a pagar mais para se financiar. O Banco Central e o Tesouro publicam os dados dessa conta nos próximos meses. Este texto não é recomendação de investimento.

Como fizemos: Usamos cotações do InfoMoney (26/10/2026, das 9h04 às 18h00), da CNN Brasil, do Money Times e da Bora Investir (site da B3), acessados em 26/10/2026. A queda de 13,88% é a divulgada pelo InfoMoney; a conta a partir de 176.608,23 e 205.082,56 pontos dá resultado equivalente, com diferença de arredondamento. A parcela de 2,7% é nossa conta: 5,7 milhões sobre 214,2 milhões de habitantes (estimativa do IBGE de 1º/07/2026, divulgada em 28/08/2026). Os fechamentos do dólar variam entre 8,21% e 8,36% conforme a fonte e o horário, e usamos a leitura do InfoMoney. Não localizamos o fechamento do dólar futuro nem a fonte da alta de cerca de 11% citada em uma cobertura ao vivo, por isso não os usamos. Os valores não são corrigidos pela inflação, por se tratar de um único dia.

Fontes