Investigações

Proposta de delação de Vorcaro cita R$ 400 milhões para Ibaneis

Em proposta de delação não aceita, Vorcaro afirma que Ibaneis Rocha pediu R$ 400 milhões pelo negócio BRB-Master, o que a defesa nega.

Ibaneis Rocha, de terno azul e óculos, lê documentos sentado à mesa de uma comissão do Congresso, ao lado de Paco Britto.
Ibaneis Rocha, então governador do Distrito Federal, em comissão mista do Congresso, em 16 de abril de 2019 (imagem de arquivo).Foto: Jane de Araújo / Agência Senado / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

Nesta quarta-feira (21), o UOL publicou detalhes de uma proposta de delação do banqueiro Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master. Segundo o texto, o ex-governador do Distrito Federal Ibaneis Rocha teria exigido R$ 400 milhões para viabilizar a compra do Master pelo Banco de Brasília (BRB). O O Tempo republicou a informação e citou o UOL como origem.

Vorcaro afirma que metade do valor seria paga em dinheiro vivo. A outra metade viria por um contrato fictício, ou seja, um contrato que aparenta um serviço que não existiu. Segundo ele, o contrato seria com um escritório de advocacia indicado por Ibaneis. Vorcaro também diz que Ibaneis ficaria com 5% do novo banco, por meio de uma empresa de fachada.

Cerca de R$ 80 milhões teriam sido adiantados em espécie. As entregas teriam sido feitas pelo motorista de Vorcaro a Leonardo Valverde, descrito como “braço direito” de Ibaneis. A Polícia Federal (PF) suspeita que o “Léo” citado em mensagens seja Valverde, segundo o Jornal do Brasil (JB).

Por que o dinheiro público está em jogo

O BRB é o banco público do Distrito Federal, controlado pelo governo local. Quando um banco público negocia a compra de outra instituição, o risco pode recair sobre os recursos da empresa e sobre os contribuintes do DF.

A operação não avançou. Segundo o O Tempo, o Banco Central vetou a operação em setembro de 2025, e o contrato com o escritório nunca foi pago.

Em que pé está a proposta

A proposta não foi aceita. A PF rejeitou uma primeira versão em 20 de maio de 2026, segundo o O Povo. Para os investigadores, os documentos da defesa eram insuficientes e havia tentativa de preservar pessoas influentes.

Em junho, a PF recusou uma segunda versão, segundo o JB Jurídico. A Procuradoria-Geral da República (PGR) também rejeitou a proposta, conforme nota citada pelo O Povo em outubro.

O que Ibaneis e a defesa dizem

O advogado Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, disse ao UOL que Ibaneis “dava plena liberdade para o presidente do BRB fazer o que julgasse necessário”. Segundo ele, o então governador não participava das decisões do banco público, segundo o O Tempo.

A defesa também afirmou que não vai comentar uma “delação que não foi aceita por não ter um fiapo de prova”.

O que diz Ibaneis Rocha: Por meio do advogado Kakay, ele nega irregularidades. A defesa disse ao UOL que Ibaneis dava “plena liberdade” ao presidente do BRB e que não comenta uma “delação que não foi aceita por não ter um fiapo de prova”.

O que isso significa

O que está comprovado publicamente é pouco: a proposta existe e não foi aceita, e a PF e a PGR já recusaram propostas anteriores de Vorcaro. Os valores e as acusações contra Ibaneis são de Vorcaro e não foram confirmados por decisão judicial. Vorcaro diz que as provas estariam em mensagens do seu celular, segundo o O Tempo.

Mensagens extraídas pela PF são citadas pelas reportagens, mas o conteúdo completo não foi divulgado nas fontes consultadas. Caberá à Justiça avaliar as acusações e as provas.

Como fizemos: Usamos as reportagens do O Tempo e do JB, publicadas em 21 de outubro de 2026, que citam o UOL, além do O Povo e do JB Jurídico, acessados em 21 de outubro de 2026. Não conseguimos acessar a reportagem original do UOL, então os valores seguem como alegação de Vorcaro, sem confirmação independente. Não houve cálculo próprio.

Fontes