Proposta de delação de Vorcaro cita R$ 400 milhões para Ibaneis
Em proposta de delação não aceita, Vorcaro afirma que Ibaneis Rocha pediu R$ 400 milhões pelo negócio BRB-Master, o que a defesa nega.

Nesta quarta-feira (21), o UOL publicou detalhes de uma proposta de delação do banqueiro Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master. Segundo o texto, o ex-governador do Distrito Federal Ibaneis Rocha teria exigido R$ 400 milhões para viabilizar a compra do Master pelo Banco de Brasília (BRB). O O Tempo republicou a informação e citou o UOL como origem.
Vorcaro afirma que metade do valor seria paga em dinheiro vivo. A outra metade viria por um contrato fictício, ou seja, um contrato que aparenta um serviço que não existiu. Segundo ele, o contrato seria com um escritório de advocacia indicado por Ibaneis. Vorcaro também diz que Ibaneis ficaria com 5% do novo banco, por meio de uma empresa de fachada.
Cerca de R$ 80 milhões teriam sido adiantados em espécie. As entregas teriam sido feitas pelo motorista de Vorcaro a Leonardo Valverde, descrito como “braço direito” de Ibaneis. A Polícia Federal (PF) suspeita que o “Léo” citado em mensagens seja Valverde, segundo o Jornal do Brasil (JB).
Por que o dinheiro público está em jogo
O BRB é o banco público do Distrito Federal, controlado pelo governo local. Quando um banco público negocia a compra de outra instituição, o risco pode recair sobre os recursos da empresa e sobre os contribuintes do DF.
A operação não avançou. Segundo o O Tempo, o Banco Central vetou a operação em setembro de 2025, e o contrato com o escritório nunca foi pago.
Em que pé está a proposta
A proposta não foi aceita. A PF rejeitou uma primeira versão em 20 de maio de 2026, segundo o O Povo. Para os investigadores, os documentos da defesa eram insuficientes e havia tentativa de preservar pessoas influentes.
Em junho, a PF recusou uma segunda versão, segundo o JB Jurídico. A Procuradoria-Geral da República (PGR) também rejeitou a proposta, conforme nota citada pelo O Povo em outubro.
O que Ibaneis e a defesa dizem
O advogado Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, disse ao UOL que Ibaneis “dava plena liberdade para o presidente do BRB fazer o que julgasse necessário”. Segundo ele, o então governador não participava das decisões do banco público, segundo o O Tempo.
A defesa também afirmou que não vai comentar uma “delação que não foi aceita por não ter um fiapo de prova”.
O que diz Ibaneis Rocha: Por meio do advogado Kakay, ele nega irregularidades. A defesa disse ao UOL que Ibaneis dava “plena liberdade” ao presidente do BRB e que não comenta uma “delação que não foi aceita por não ter um fiapo de prova”.
O que isso significa
O que está comprovado publicamente é pouco: a proposta existe e não foi aceita, e a PF e a PGR já recusaram propostas anteriores de Vorcaro. Os valores e as acusações contra Ibaneis são de Vorcaro e não foram confirmados por decisão judicial. Vorcaro diz que as provas estariam em mensagens do seu celular, segundo o O Tempo.
Mensagens extraídas pela PF são citadas pelas reportagens, mas o conteúdo completo não foi divulgado nas fontes consultadas. Caberá à Justiça avaliar as acusações e as provas.
Como fizemos: Usamos as reportagens do O Tempo e do JB, publicadas em 21 de outubro de 2026, que citam o UOL, além do O Povo e do JB Jurídico, acessados em 21 de outubro de 2026. Não conseguimos acessar a reportagem original do UOL, então os valores seguem como alegação de Vorcaro, sem confirmação independente. Não houve cálculo próprio.
Fontes
- Vorcaro diz que Ibaneis pediu R$ 400 milhões de propina por negócio do BRB com Master — O Tempo
- Banco Master: delação de Vorcaro cita R$ 400 milhões em propina para Ibaneis — Jornal do Brasil
- PF rejeita proposta de delação do ex-banqueiro Daniel Vorcaro — O Povo
- PF rejeita segunda proposta de delação de Daniel Vorcaro — JB Jurídico
- Áudio de Vorcaro sobre filme de Lula: PF e PGR negam delação — O Povo



