Flávio defendeu a PEC da Blindagem e quer mudar quem julga políticos
Flávio chamou a PEC da Blindagem de instrumento de sobrevivência e, investigado no STF, agora propõe tirar do Supremo os processos de parlamentares.

Em 20 de setembro de 2025, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) defendeu a PEC da Blindagem. Segundo o Jornal de Brasília, ele disse: “me parece um instrumento razoável de sobrevivência”. Quatro dias depois, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado rejeitou a proposta por 26 votos a zero.
A proposta nunca chegou ao plenário do Senado. Hoje, Flávio é candidato à Presidência e está investigado no Supremo Tribunal Federal (STF). Seu plano de governo propõe tirar do STF os processos criminais contra deputados e senadores. Juntas, as duas propostas mudariam quem decide se um parlamentar é processado e quem o julga.
PEC é a sigla de proposta de emenda à Constituição, uma mudança na lei mais alta do país. Para ser aprovada, ela precisa de três quintos dos votos em cada Casa do Congresso, em dois turnos. Antes do plenário, a PEC passa pela CCJ, comissão que verifica se o texto respeita a Constituição.
O que a PEC da Blindagem previa
Pelo texto descrito pela Agência Brasil, deputados e senadores só poderiam ser processados criminalmente com autorização prévia da Câmara ou do Senado. A decisão seria tomada por voto secreto. A regra valeria também para deputados estaduais e distritais.
Flávio argumentou que o STF abre processos contra parlamentares sem motivo, segundo o Jornal de Brasília. Críticos chamaram a proposta de “PEC da impunidade”, também segundo a reportagem. Mas a PEC nunca avançou: a CCJ a rejeitou por unanimidade, e ela não chegou ao plenário, onde precisaria de três quintos dos senadores. Sem votação no plenário, a regra não entrou em vigor.
O voto secreto era o ponto mais sensível. Com ele, o eleitor não saberia como cada parlamentar votou para autorizar, ou barrar, um processo contra um colega. Para quem acompanha o uso do dinheiro público, isso significaria uma forma a menos de cobrar responsabilidade de quem decide.
Da defesa da Blindagem aos processos no STF Datas dos fatos e situação em 21 de outubro de 2026
| Data | O que aconteceu | Situação |
|---|---|---|
| 20 set 2025 | Flávio defende a PEC da Blindagem | Declaração pública |
| 24 set 2025 | CCJ do Senado rejeita a PEC por 26 votos a zero | Rejeitada, sem votação no plenário |
| Jul–ago 2026 | Ministro André Mendonça inclui Flávio como investigado no caso Dark Horse | Investigado, não réu |
| 13 ago 2026 | Plano de governo propõe tirar do STF processos criminais de parlamentares | Proposta; exige PEC |
| 1 out 2026 | Presidente do STF, Edson Fachin, nega pedido para afastar o ministro Flávio Dino dos processos | Pedido negado |
Fonte: Agência Brasil; Jornal de Brasília; Congresso em Foco. Elaboração: redação.
O plano e o inquérito no Supremo
O plano de governo, registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em agosto, propõe acabar com a competência criminal originária do STF sobre deputados e senadores. Em termos simples, esses processos deixariam de começar e ser julgados direto no Supremo. Como a Constituição dá essa competência ao STF, a mudança exige PEC, segundo o Congresso em Foco.
O plano também quer restringir as decisões monocráticas, tomadas por um ministro sozinho. A reportagem não diz se essa parte exige PEC.
Flávio também é investigado no próprio Supremo. O ministro André Mendonça abriu o inquérito do caso Dark Horse a pedido da Polícia Federal (PF), com parecer favorável da Procuradoria-Geral da República (PGR). Segundo a Agência Brasil, o inquérito apura, em tese, lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção.
O caso gira em torno de dinheiro pedido ao banqueiro Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master. Segundo o Intercept, Flávio pediu US$ 24 milhões para o filme sobre o pai, Jair Bolsonaro. Ele diz que o dinheiro era privado e lícito, e que ser senador não deu nada ao banqueiro. Seu irmão, Eduardo Bolsonaro, também é alvo do inquérito, segundo a Agência Brasil. Investigado não é réu, e as reportagens consultadas não registram denúncia contra ele.
Em 1º de outubro, Fachin também negou o pedido de Flávio para afastar Dino das ações que o envolvem, segundo a Agência Brasil. Com a decisão, Dino segue nessas ações.
Para o eleitor, o padrão é este: a mesma pessoa defendeu uma regra que exigiria autorização do Congresso antes de um parlamentar ser processado, e agora propõe mudar quem julga parlamentares. A PEC da Blindagem foi rejeitada na CCJ e não chegou ao plenário. As propostas do plano dependem do Congresso, e a mais direta depende de PEC.
Até o segundo turno, em 25 de outubro, o inquérito segue aberto. A PF pediu mais 90 dias para concluí-lo, em 16 de outubro, e não há decisão sobre o prazo, segundo a ConJur.
O que diz Flávio Bolsonaro: Ele defendeu a PEC como “instrumento razoável de sobrevivência” e disse que o STF abre processos contra parlamentares sem motivo, segundo o Jornal de Brasília. Sobre o inquérito, afirma que o dinheiro de Vorcaro era privado e lícito, segundo a CNN Brasil.
Como fizemos: Usamos reportagens da Agência Brasil, do Jornal de Brasília, do Congresso em Foco, da CNN Brasil e da ConJur, acessadas em 21 de outubro de 2026. Não consultamos os autos do inquérito, e os textos das propostas vêm de reportagens, não dos projetos completos. O valor de US$ 24 milhões é atribuído ao Intercept, reportagem que não conseguimos abrir nesta checagem. As datas de inclusão de Flávio como investigado divergem entre fontes (22 de julho e 6 de agosto), por isso aparecem como julho e agosto.
Fontes
- Flávio Bolsonaro critica articulação contra anistia e diz que PEC da Blindagem é sobrevivência — Jornal de Brasília
- CCJ do Senado rejeita PEC da Blindagem por unanimidade — Agência Brasil
- Flávio propõe tirar processos criminais e reduzir competências do STF — Congresso em Foco
- Fachin nega pedido para afastar Dino de ações sobre Flávio Bolsonaro — Agência Brasil
- Mendonça incluiu Flávio Bolsonaro como investigado no caso Dark Horse — Agência Brasil
- Áudio: Flávio negociou milhões com Vorcaro — Intercept Brasil
- Flávio diz que dinheiro de Vorcaro para Dark Horse era lícito e privado — CNN Brasil
- PF pede prorrogação de inquérito sobre financiamento do Dark Horse — ConJur



