Tribunais de contas

TCU indica dez obras do DNIT como prioritárias para receber recursos

Lista do TCU aponta dez obras em rodovias do DNIT que precisam de cerca de R$ 520 milhões para ficar prontas até o fim de 2027.

Fachada branca de vários andares do edifício-sede do Tribunal de Contas da União, em Brasília, com a placa do órgão no gramado e uma árvore à direita.
A sede do Tribunal de Contas da União (TCU), em Brasília, em fevereiro de 2018 (foto de arquivo).Foto: Leopoldo Silva / Agência Senado / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

Na quarta-feira (21), o Tribunal de Contas da União (TCU) indicou dez obras do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) como prioritárias para receber recursos. Segundo o tribunal, elas precisam de cerca de R$ 520 milhões para ficar prontas até o fim de 2027.

A decisão foi tomada pelo Plenário, o colegiado de ministros da corte. Ela consta do Acórdão 2903/2026, nome dado às decisões colegiadas do tribunal. O relator é o ministro Jhonatan de Jesus. A lista foi enviada ao presidente do Congresso, Davi Alcolumbre, e à Comissão Mista de Planos, Orçamentos Públicos e Fiscalização (CMO), segundo o TCU.

De onde vem a lista

A lista sai do Fiscobras, a auditoria anual do TCU sobre obras federais. Em 2026, o tribunal fiscalizou 24 empreendimentos, com R$ 6,1 bilhões analisados. Segundo o TCU, 15 obras têm indícios de irregularidade grave, com uma recomendação de paralisação.

O ponto novo é o critério. O TCU escolheu obras sem dinheiro suficiente para terminar e com chance concreta de ficar prontas até 2027. Também considerou os impedimentos à retomada, a qualidade e a maturidade de cada projeto.

Quanto falta em cada obra

A tabela mostra as maiores pendências. A obra de Porto Murtinho, no Mato Grosso do Sul, sozinha responde por mais da metade do total, segundo nossa conta.

Quanto falta para concluir as dez obras indicadas pelo TCU Valores a concluir, em R$ milhões, conforme a lista publicada pelo O Povo

Obra UF R$ milhões
Acesso a Porto Murtinho (BR-267) MS 279,1
Ponte do Xingu (BR-230) PA 67,9
Remanescente do Lote 1C (BR-319) AM 43,9
Tronco Norte (BR-116) RS 43,8
Outras seis obras — 90,1
Total — 524,8

Fonte: lista de obras reportada por O Povo (24/10/2026). Soma e arredondamento: redação.

A soma dos dez valores dá R$ 524,8 milhões, acima dos cerca de R$ 520 milhões citados pelo TCU. Os textos consultados não explicam a diferença. A menor pendência é a duplicação da BR-222 até o Pecém, no Ceará, com R$ 5,2 milhões.

Uma mudança no relatório

Segundo a Agência iNFRA, o relatório costumava focar em apontar paralisações de obras. Este ano, ele também indica para onde o dinheiro precisa ir. O DNIT foi escolhido como órgão-piloto pelo tamanho de sua carteira, pela qualidade das informações e pelo orçamento apertado.

O TCU pretende avaliar o método em saneamento, saúde, educação, recursos hídricos e mobilidade.

O que diz o TCU: Em notícia da Secom do tribunal, de 21/10/2026, o relator, ministro Jhonatan de Jesus, afirmou: “Agora o TCU passa a informar também onde o dinheiro precisa ser aplicado.” Esta reportagem não ouviu o DNIT.

O que fica em aberto

A lista é informativa. Segundo a Agência iNFRA, ela não certifica a regularidade das obras. Cabe ao Congresso decidir se e como usar as indicações no Orçamento. A pergunta que fica é quanto desses R$ 520 milhões chegará às obras até o fim de 2027.

Como fizemos: Usamos a notícia do TCU sobre a sessão de 21/10/2026, a reportagem da Agência iNFRA (22/10/2026) e a do O Povo (24/10/2026), acessadas em 27/10/2026. Somamos os dez valores por obra publicados pelo O Povo, sem correção pela inflação, pois todos se referem ao mesmo momento. Não tivemos acesso ao texto do acórdão 2903/2026, por isso os valores por obra vêm apenas das reportagens.

Fontes