TCU vê indício grave em 15 de 24 obras federais fiscalizadas
No Fiscobras 2026, o TCU analisou R$ 6,1 bilhões em 24 obras e listou dez rodovias que precisam de R$ 520 milhões até 2027.

Na quarta-feira (21), o Plenário do Tribunal de Contas da União (TCU) julgou o relatório do Fiscobras 2026. O levantamento analisou R$ 6,1 bilhões em 24 obras federais. Em 15 delas, o tribunal encontrou indícios de irregularidade grave.
O Fiscobras é o levantamento do TCU sobre grandes obras do governo federal. Esta é a 30ª edição, e o programa completa 30 anos. O resultado ajuda o Congresso a analisar o projeto de Orçamento (PLOA), a proposta que o governo envia aos parlamentares.
Quinze obras com sinais de alerta
Em 2026, 15 das 24 obras analisadas têm indícios de irregularidade grave. Isso equivale a 62,5%. Na edição de 2025, o TCU encontrou o mesmo tipo de sinal em 15 de 25 obras, ou 60%.
Indício é um sinal que precisa de apuração. Não é prova de desvio, nem condenação. A notícia oficial não detalha quais problemas aparecem em cada obra.
O relatório também traz uma recomendação de paralisação de uma obra. A notícia não diz qual é. Em 2025, a recomendação foi para a BR-040, no Rio de Janeiro.
Dez rodovias precisam de R$ 520 milhões
O TCU listou dez obras rodoviárias prioritárias, todas sob responsabilidade do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT). Elas precisam de cerca de R$ 520 milhões para ficar prontas até o fim de 2027. A lista foi enviada ao presidente do Congresso, Davi Alcolumbre, e à Comissão Mista de Planos, Orçamentos Públicos e Fiscalização (CMO).
Três obras aparecem com valor na notícia. O acesso a Porto Murtinho, na BR-267 (MS), precisa de “quase R$ 280 milhões”. A Ponte do Xingu, na BR-230 (PA), precisa de R$ 67,9 milhões. O remanescente do Lote 1C da BR-319 (AM), que é o trecho ainda por concluir, precisa de R$ 43,9 milhões.
Juntas, as três somam menos de R$ 392 milhões. Isso é cerca de três quartos do total de R$ 520 milhões. Os valores das outras sete obras não estão no texto.
Uma fiscalização que aponta destino
Segundo o TCU, a lista não se limita a apontar irregularidades. Ela indica onde os investimentos devem ser priorizados. Entram obras que ainda não têm dinheiro suficiente para terminar e que podem ficar prontas até o fim de 2027.
O relator, ministro Jhonatan de Jesus, resumiu a mudança: “Agora o TCU passa a informar também onde o dinheiro precisa ser aplicado.”
Para o contribuinte, o ponto central é este. Foram examinados R$ 6,1 bilhões de dinheiro público, e em 15 das 24 obras há sinais graves de problema. Ao mesmo tempo, R$ 520 milhões ainda são necessários para terminar dez rodovias. O TCU recomenda, mas a decisão sobre o Orçamento cabe ao Congresso.
O texto integral do acórdão, que é a decisão do Plenário, está no site do TCU, segundo a própria notícia. É nele que o leitor pode buscar as obras com alerta, que a notícia não lista. A pergunta em aberto é quanto desse alerta vai virar correção na obra e quanto dinheiro chega a cada trecho.
O que diz o TCU: O relator, ministro Jhonatan de Jesus, afirmou: “Agora o TCU passa a informar também onde o dinheiro precisa ser aplicado.” A posição consta da notícia publicada no Portal TCU em 21 de outubro de 2026.
Como fizemos: Usamos as notícias do Portal TCU de 20 e 21 de outubro de 2026 sobre o Fiscobras 2026 e a lista de obras prioritárias, além da notícia do Fiscobras 2025, acessadas em 22 de outubro de 2026. Não lemos o texto integral do Acórdão 2903/2026, apenas o resumo oficial. Os percentuais são cálculos da redação: 15 de 24 é 62,5%, e 15 de 25 é 60%. A soma de “menos de R$ 392 milhões” usa o valor de R$ 280 milhões como limite, porque a notícia diz “quase”. Não comparamos valores em reais entre 2025 e 2026.
Fontes
- Tribunal avalia 30ª edição do Fiscobras nesta quarta-feira — Portal TCU
- TCU indica dez obras rodoviárias para receber recursos com prioridade — Portal TCU
- Fiscobras 2025 aponta 15 obras com indícios de irregularidade grave — Portal TCU
- Notícias — Portal TCU (acesso em 22/10/2026)
- Fachada Tribunal de Contas da União - TCU — Wikimedia Commons (CC BY 2.0)



