Investigações

Defesa de Flávio pede a Moraes acesso a investigação sigilosa

A defesa de Flávio Bolsonaro pediu a Alexandre de Moraes acesso ao caso sigiloso no STF sobre o advogado Willer Tomaz, amigo do senador.

Fachada do prédio do Supremo Tribunal Federal, com colunas brancas curvas e vidraças, na Praça dos Três Poderes, em Brasília.
A fachada do Supremo Tribunal Federal (STF), em Brasília, em fevereiro de 2025 (imagem de arquivo).Foto: Pedro França / Agência Senado / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

Na terça-feira (20), a defesa do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pediu ao ministro Alexandre de Moraes acesso a uma investigação sigilosa do Supremo Tribunal Federal (STF). O caso apura suspeita de lavagem de dinheiro ligada ao advogado Willer Tomaz, amigo de Flávio. Os dois negam irregularidades.

Lavagem de dinheiro é ocultar a origem de recursos que podem ter vindo de crime. Sigiloso quer dizer que os documentos não são públicos. Por isso, o que se sabe vem de reportagens e de notas das defesas.

Como o caso chegou ao STF

Segundo o Estadão, o caso chegou ao STF em 8 de outubro. O ministro Alexandre de Moraes foi sorteado relator, ou seja, o responsável por conduzir o processo. Uma coluna da CNN Brasil diz que o caso foi distribuído a ele em 16 de outubro.

As reportagens não concordam sobre quem abriu a apuração. O Estadão atribui o envio à Polícia Federal (PF). Uma coluna da CNN Brasil atribui a abertura ao Ministério Público (MP).

O que as reportagens dizem sobre dinheiro e viagens

Segundo a PF, citada pelo Estadão, uma conta bancária de Tomaz movimentou cerca de R$ 130 milhões de março a maio de 2025. A PF afirma que a origem e o destino desse dinheiro ainda precisam ser esclarecidos.

Segundo a Folha, documentos da PF mostram que a empresa Cathedral pagou ao menos três trechos de voos de Flávio e Tomaz entre Portugal e França, em 2025. A Cathedral é a única sócia da Rede Loto, que opera a marca de apostas BestBet. O advogado da Rede Loto disse que Tomaz pagou as viagens, e não a empresa. Segundo ele, foram “passeios de lazer entre amigos e familiares”.

O Estadão também relatou que a PF encontrou e-mails indicando que Flávio estava cadastrado como “usuário master” de uma conta bancária da Alcazar Holdings, empresa de Tomaz.

O que dizem Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz: Em nota ao Estadão, o gabinete de Flávio disse que a reportagem “está errada” e que o senador “não é investigado no Supremo Tribunal Federal”. Tomaz disse que a informação sobre conta conjunta “não condiz com a verdade” e que “inexiste qualquer movimentação financeira irregular”, segundo a CNN Brasil.

O que ainda não se sabe

Nas reportagens consultadas, não há decisão de Moraes sobre o pedido de acesso. Também não há denúncia do Ministério Público contra Flávio. Uma denúncia é a acusação formal apresentada à Justiça, e ela não aparece nas fontes desta matéria.

Os dados citados vêm da PF, segundo as reportagens, e não de documentos públicos. Como o caso é sigiloso, nenhum deles pôde ser conferido nos autos.

O que vem a seguir

O próximo passo depende de Moraes decidir se a defesa pode ver os documentos. O segundo turno da eleição é em 25 de outubro, e a campanha teme que a investigação pese sobre a disputa. Até lá, o caso segue sob sigilo, e as informações continuam sendo as de reportagens e das partes.

Fontes