Gastos públicos

18 regimes de previdência aplicaram R$ 1,87 bi no Banco Master

Dados do Ministério da Previdência mostram quais regimes de servidores aplicaram no Master, e como o cidadão pode conferir o seu.

Grupo de deputados posa no Congresso; ao centro, uma deputada de blazer amarelo e um deputado de terno azul seguram um requerimento.
Deputados apresentam o pedido de criação da CPMI do Banco Master, no Congresso, em 3 de fevereiro de 2026 (imagem de arquivo).Foto: Jefferson Rudy / Agência Senado / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

Dezoito regimes de previdência de estados e municípios aplicaram R$ 1,867 bilhão no Banco Master. As aplicações foram feitas entre outubro de 2023 e dezembro de 2024, segundo o Ministério da Previdência Social (MPS). O Banco Central liquidou o banco em novembro de 2025, ou seja, encerrou suas operações.

Este texto mostra quem aplicou e quanto, o que a Polícia Federal (PF) investiga e como conferir o regime de quem é servidor ou mora em cidade com regime próprio.

Quem aplicou e quanto

O país tem 2.130 regimes próprios de previdência social (RPPS). São fundos de aposentadoria de servidores de estados e municípios, separados do INSS, que atende o setor privado. Só 18 deles aplicaram no Banco Master, segundo o MPS.

O maior valor foi o do Rioprevidência, do Rio de Janeiro, com R$ 970 milhões. Vêm depois a Amprev, do Amapá, com R$ 400 milhões, e o regime de Maceió, com R$ 97 milhões, segundo o Poder360.

Maiores aplicações de RPPS no Banco Master Em R$ milhões, aplicados entre outubro de 2023 e dezembro de 2024

Regime Valor
Rioprevidência (RJ) 970
Amprev (AP) 400
Maceió (AL) 97
Outros 15 regimes 400

Fonte: Ministério da Previdência Social, via Poder360 (19/11/2025). “Outros 15 regimes” é cálculo da redação: total de R$ 1.867 milhões menos os três maiores. Elaboração: redação.

Pela conta da redação, o Rio sozinho concentra cerca de 52% do total. Rio e Amapá juntos somam cerca de 73%. A CNN Brasil cita um levantamento mais recente do MPS, com 19 entes federativos até fevereiro de 2026, mas não informa o total.

O que a PF investiga no Rio

Em 26 de maio de 2026, a PF deflagrou uma nova fase da Operação Compliance Zero. Segundo a CNN Brasil, a investigação trata de uma aplicação de R$ 2,01 bilhões do Estado do Rio em fundos do Banco Master. Esse número usa outro tipo de aplicação e outro recorte, por isso não bate com o do MPS.

A operação anterior, Barco de Papel, identificou R$ 970 milhões em Letras Financeiras entre outubro de 2023 e julho de 2024, segundo a CNN Brasil. As reportagens consultadas não citam réus nem denúncia. Quem é investigado ainda não foi julgado.

O ministro da Previdência, Wolney Queiroz, disse que as auditorias do MPS feitas em 2024 foram usadas pela PF nas operações, segundo a Tribuna do Sertão.

O que diz o Ministério da Previdência Social: Em 20 de maio de 2026, o ministro Wolney Queiroz afirmou: “Nós, da Previdência Social, detectamos os problemas do Banco Master e fizemos em 2024 as auditorias em várias cidades”, segundo a Tribuna do Sertão.

Como conferir o regime do seu estado ou município

  1. Descubra se a sua prefeitura ou o seu governo estadual tem RPPS. Quem não tem regime próprio é atendido pelo INSS.
  2. Acesse o CadPrev, o sistema oficial de registro de investimentos dos RPPS, em cadprev.previdencia.gov.br. Segundo o Poder360, as aplicações constam ali, em consulta pública.
  3. Procure o DAIR, o Demonstrativo de Aplicações e Investimentos dos Recursos. Segundo curso da Escola Nacional de Administração Pública (Enap), o regime preenche esse demonstrativo e o envia pelo CadPrev.
  4. Procure o nome do banco emissor, como o Master, e o valor aplicado em cada título.
  5. Se o instituto tiver site, procure a política de investimentos, documento que orienta onde o dinheiro pode ser aplicado.
  6. Leve as dúvidas ao conselho do instituto e ao tribunal de contas que fiscaliza o seu município ou estado.

O que isso significa

A exposição ficou concentrada. Rio e Amapá somam cerca de 73% do total informado pelo MPS, pela conta da redação. A investigação segue na PF, sem denúncia citada nas reportagens consultadas.

Segundo a CNN Brasil, os títulos não têm a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), que protege depósitos e certos créditos em bancos. Por isso, o investidor depende da liquidação dos ativos ou de disputas judiciais para recuperar valores.

Como fizemos: Usamos o comunicado do MPS publicado pelo Poder360 em 19 de novembro de 2025, reportagens da Agência Brasil (26 de maio de 2026) e da CNN Brasil sobre a PF, e a fala do ministro publicada pela Tribuna do Sertão (20 de maio de 2026), acessados em 21 de outubro de 2026. O MPS fala em letras financeiras; a PF, em fundos; os períodos também diferem. Os dados do MPS têm quase um ano e podem ter mudado. Não conseguimos abrir o CadPrev durante a apuração; os passos vêm do material da Enap e de reportagens. Os percentuais e o total de “outros 15 regimes” são cálculos da redação.

Fontes