Gastos públicos

Desemprego cai a 5,3% e renda real sobe 3,7% em um ano

Dados oficiais de emprego, renda, PIB e inflação de 2026 contam uma história diferente da queda de 13,88% na Bolsa em 26 de outubro.

Fachada de pedra clara com três portas arqueadas de ferro escuro e o nome BOVESPA em letras douradas sobre as portas.
Fachada do antigo prédio da Bovespa, hoje parte da B3, no centro de São Paulo, em foto de 2017.Foto: Wilfredor / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

Na segunda-feira (26), o Ibovespa, principal índice da B3, fechou em queda de 13,88%, aos 176.608,23 pontos. O dólar comercial subiu 8,25%, cotado a R$ 5,403, segundo o BP Money. A reação veio no primeiro pregão depois da reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), com 51,79% dos votos, segundo a InfoMoney.

A Bolsa mede o preço de ações de empresas listadas. Ela não mede se a pessoa tem emprego nem quanto recebe. Para isso, o país usa pesquisas oficiais, e elas contam uma história diferente do pregão.

Desemprego baixo e renda em alta

A taxa de desocupação ficou em 5,3% no trimestre encerrado em agosto de 2026. No mesmo período de 2025, estava em 5,6%, segundo o IBGE, na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua). A taxa mostra a parcela de quem procura trabalho e não encontra.

O rendimento médio real foi de R$ 3.777, com alta de 3,7% em um ano. O termo “real” quer dizer que o valor já desconta a inflação. A massa de rendimento, soma de todos os ganhos do trabalho, chegou a R$ 385,6 bilhões, com alta de 4,8%. A PNAD também contou 103,5 milhões de pessoas ocupadas, o maior número desde 2012.

Emprego formal e PIB

O Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), conta vagas com carteira assinada. Em agosto, o saldo foi de 165.827 vagas formais. De janeiro a agosto, foram 1.134.033. Os dados saíram em 29 de setembro.

O Caged e a PNAD medem coisas diferentes. A PNAD inclui trabalhadores informais, e o Caged não. Por isso, a taxa de desemprego pode cair enquanto o saldo formal oscila.

O PIB, a soma de tudo o que o país produz, cresceu 0,5% no segundo trimestre sobre o primeiro, já sem o efeito da sazonalidade. Em 12 meses, a alta foi de 2%, segundo o IBGE, divulgado em 1º de setembro. O consumo das famílias caiu 0,4% no trimestre, segundo a Suno Notícias.

Indicadores oficiais mais recentes, 2026 Último dado divulgado e período de referência

Indicador Valor Referência
Desocupação (PNAD) 5,3% jun. a ago.; 5,6% em 2025
Rendimento médio real (PNAD) R$ 3.777 jun. a ago.; +3,7% em um ano
Saldo de vagas formais (Caged) 165.827 agosto
PIB +0,5% 2º tri. ante 1º tri., ajustado
IPCA 4,58% 12 meses até setembro
Selic 13,75% ao ano, desde 16/9

Fonte: IBGE (PNAD Contínua, Contas Nacionais, IPCA), MTE (Caged), Banco Central. Elaboração: redação.

Juros e inflação pesam

O IPCA, índice oficial de inflação, subiu 0,82% em setembro. Em 12 meses, chegou a 4,58%, segundo o IBGE, acima do teto de 4,5% da meta. A meta é de 3%, com margem de 1,5 ponto para cima e para baixo, fixada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).

A Selic, taxa básica de juros, está em 13,75% ao ano. O Comitê de Política Monetária (Copom) cortou 0,25 ponto em 16 de setembro. Juros altos encarecem o crédito. Isso pode ajudar a explicar a cautela do consumidor, mas os dados não provam essa ligação.

A Bolsa e quem investe

A B3 informou que 5,7 milhões de CPFs de pessoas físicas investiam em renda variável no fim de junho de 2026. Esse número equivale a cerca de 5,5% dos 103,5 milhões de ocupados, em cálculo da redação com bases e datas diferentes. A queda do dia atinge diretamente uma parcela pequena dos trabalhadores.

Para quem tem ações, a queda é perda no papel, e o preço pode subir ou cair ainda mais. Ativos podem perder valor, e pânicos podem se aprofundar. Esta reportagem não é recomendação de investimento.

O que diz o IBGE: o instituto informa taxa de desocupação de 5,3% no trimestre encerrado em agosto, segundo reportagem do portal Acessa. A redação não enviou perguntas ao IBGE para esta matéria; os números vêm das divulgações publicadas.

O que isso significa

Os dados oficiais mostram desemprego baixo, renda real em alta e uma economia que cresce devagar, com juros e inflação elevados. A reportagem do BP Money atribui a queda da Bolsa à reação do mercado ao resultado da eleição. Esse movimento ainda não aparece nos indicadores de emprego e renda, que medem meses passados.

Os próximos dados do Caged e do IPCA, e as decisões do Copom, vão mostrar se a tendência se mantém. Até lá, a queda na Bolsa é um sinal sobre expectativas, e não uma medida da economia.

Como fizemos: Usamos a PNAD Contínua do IBGE (trimestres até agosto e até junho de 2026), o Caged de agosto de 2026 (MTE), o PIB do 2º trimestre (IBGE, divulgado em 1º/9/2026), o IPCA de setembro (IBGE, divulgado em 9/10/2026) e a Selic (Copom, 16/9/2026). Os dados foram acessados em 26 de outubro de 2026, por páginas oficiais e reportagens que os repetem; algumas páginas oficiais não abriram. Os valores de renda são reais, já corrigidos pela inflação pelo IBGE. Não comparamos o Caged com 2025, porque as fontes divergem. A proporção de investidores é cálculo da redação, com bases e datas distintas. Os dados não mostram se a queda na Bolsa se mantém.

Fontes