Tribunais de contas

TCE-ES aponta 15 falhas na saúde de Mimoso do Sul

Auditoria agrupa sete problemas de infraestrutura, três de equipe e atendimento e cinco de controle sanitário em unidades básicas.

Vista aérea da praça e de casario histórico de São Pedro de Itabapoana, em Mimoso do Sul.
São Pedro de Itabapoana, distrito de Mimoso do Sul, no Espírito Santo, em julho de 2021.Foto: Maycon Batista Silva / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

O Tribunal de Contas do Estado do Espírito Santo (TCE-ES) identificou 15 problemas em Unidades Básicas de Saúde de Mimoso do Sul. A auditoria motivou determinações com prazos de 90 a 180 dias para a prefeitura agir.

Os achados reúnem sete falhas de infraestrutura e segurança, três de equipe e atendimento e cinco de controle sanitário. A decisão foi julgada em 9 de outubro e divulgada pelo tribunal nesta segunda-feira (26).

A auditoria de conformidade verifica se o serviço segue as normas. A equipe visitou as unidades e avaliou usuários, profissionais, instalações, equipamentos, sistemas, medicamentos e descarte de resíduos.

Infraestrutura concentra quase metade dos problemas

Sete pontos tratam de ambientes de espera, instalações físicas, acessibilidade e ar-condicionado. Também entram a ausência de alvará do Corpo de Bombeiros e extintores vencidos. São 46,7% dos problemas listados.

Três falhas envolvem equipe e atendimento. A auditoria encontrou recursos humanos mínimos incompletos, falta de divulgação das escalas e ausência de avaliação da satisfação dos usuários.

Sete dos 15 problemas afetam infraestrutura e segurança Agrupamento dos achados do processo TC 1596/2026

Área Quantidade Exemplos
Infraestrutura e segurança 7 Alvará, extintores, acessibilidade e instalações
Controle sanitário 5 Vigilância, medicamentos, reservatórios e resíduos
Equipe e atendimento 3 Profissionais, escalas e satisfação dos usuários
Total 15 Determinações com prazos de 90 a 180 dias

Fonte: TCE-ES. Agrupamento e percentual elaborados pela redação.

Os cinco pontos sanitários incluem falta de fiscalização da Vigilância Sanitária e certificados de limpeza de reservatórios. Também há ausência de controle de pragas, armazenamento inadequado de medicamentos e destinação incorreta de resíduos.

Os achados se conectam. Caixas de remédios encostadas no piso, parede ou teto comprometem a conservação. Resíduos mal destinados ampliam riscos para trabalhadores e pacientes. Já extintores vencidos e falta de alvará afetam a resposta a emergências. Por isso, a correção precisa ir além de registrar documentos: deve mudar as condições encontradas nas unidades.

Falhas têm efeito direto sobre o atendimento

O relator, conselheiro Domingos Taufner, afirmou que não se trata de simples pendências formais. Em seu voto, destacou riscos sanitários e estruturais para usuários e profissionais.

A administração municipal apresentou iniciativas para corrigir as deficiências. O relator considerou as providências insuficientes, porque os problemas ainda afetam qualidade e continuidade da assistência. Essa avaliação consta na decisão publicada pelo tribunal.

A auditoria não divulgou valor de dano aos cofres. O foco é a conformidade e a qualidade do serviço, não a imputação de débito. O processo TC 1596/2026 também não apresenta condenação criminal.

O que diz o TCE-ES: “Não se trata, portanto, de falhas meramente formais”, afirmou Taufner no voto. O tribunal reconheceu iniciativas municipais, mas manteve determinações porque as inadequações persistiam e podiam comprometer o atendimento seguro.

Correções terão prazos escalonados

A prefeitura deverá cumprir as determinações em prazos de 90 a 180 dias. O intervalo máximo equivale a cerca de seis meses de adequação. O tribunal também recomendou planejamento para adequar a infraestrutura das unidades. Equipamentos em desuso deverão ser avaliados para manutenção, remanejamento ou baixa patrimonial.

O caso mostra por que fiscalizar gasto público exige observar a entrega. Pagamento realizado não comprova serviço adequado. A próxima verificação deverá mostrar quais dos 15 pontos foram resolvidos e quais permanecem abertos à correção.

Como fizemos: Lemos o voto divulgado pelo TCE-ES em 26/10/2026 e agrupamos os 15 achados por tema. Calculamos sete de 15, chegando a 46,7%. A fonte não informa custo das adequações, número de unidades visitadas nem quantidade de usuários afetados.

Fontes