Gastos públicos

Aneel confirma CDE de R$ 52,66 bi; 91% vêm das tarifas

Encargo cresce R$ 3,433 bilhões em valores nominais; CDE-Uso soma R$ 47,8 bilhões e financia subsídios e programas do setor elétrico.

Moradora de assentamento no Acre ao lado de freezer e geladeira em casa atendida pelo Luz para Todos.
Família do assentamento Nova Promissão, no Acre, atendida pelo programa Luz para Todos, em maio de 2016.Foto: Sérgio Vale / Agência De Notícias Do Acre / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) confirmou nesta terça-feira (27) orçamento de R$ 52,66 bilhões para a Conta de Desenvolvimento Energético (CDE) em 2026. O valor é 7% maior que o de 2025, em termos nominais.

A CDE financia políticas e subsídios do setor elétrico. Entre eles estão a Tarifa Social, o Luz para Todos e incentivos a fontes renováveis. O encargo não integra o Orçamento federal, mas afeta diretamente o consumidor.

Das quotas anuais, R$ 47,8 bilhões são da CDE-Uso, cobrada nas tarifas de energia. Essa parcela representa 90,8% do orçamento confirmado. Os R$ 4,86 bilhões restantes correspondem a outras parcelas do orçamento da CDE.

Aumento nominal chega a R$ 3,433 bilhões

O orçamento de 2025 era R$ 49,227 bilhões. A diferença para o valor confirmado é R$ 3,433 bilhões. A comparação usa os números divulgados pela Aneel, sem correção pela inflação.

A CDE-Uso cresceu 15,4% sobre 2025. Esse avanço supera os 7% do orçamento total. Os dois indicadores medem coisas diferentes: um considera a parcela tarifária, e o outro reúne todo o orçamento do encargo.

CDE-Uso representa 90,8% do orçamento do encargo Valores nominais aprovados para 2026 e comparação com 2025

Componente Valor de 2026 Comparação
Orçamento total da CDE R$ 52,66 bilhões Alta de 7% sobre 2025
CDE-Uso paga nas tarifas R$ 47,8 bilhões Alta de 15,4% sobre 2025
Demais parcelas da CDE R$ 4,86 bilhões Diferença entre total e CDE-Uso
Orçamento total em 2025 R$ 49,227 bilhões Base da comparação anual

Fonte: Aneel. Diferenças e participação calculadas pela redação.

A agência ratificou as quotas mensais provisórias cobradas desde janeiro. Portanto, a decisão não cria uma cobrança nova em outubro. Ela confirma valores que já orientavam os recolhimentos das distribuidoras.

Consulta reuniu 94 contribuições

A proposta passou pela Consulta Pública nº 44/2025. Foram 94 sugestões enviadas por 34 agentes entre 10 de dezembro de 2025 e 26 de janeiro de 2026. Participaram empresas, associações, conselhos de consumidores e institutos de pesquisa.

A consulta permite examinar o cálculo antes da decisão. Não significa, porém, votação majoritária sobre o orçamento. A palavra final cabe à diretoria colegiada da Aneel, que avaliou as contribuições e manteve a proposta.

As regras de rateio são técnicas. Para transmissão, a agência usou os Procedimentos de Regulação Tarifária (Proret) e as tarifas de uso do sistema. Para distribuição permissionária, manteve os valores homologados nos processos tarifários deste ano.

O orçamento financia finalidades distintas. A Tarifa Social reduz a conta de famílias elegíveis. O Luz para Todos leva eletricidade a localidades sem atendimento. Outros subsídios atendem fontes e agentes econômicos, com efeitos diferentes sobre quem paga a tarifa.

O que diz a Aneel: A agência informa que confirmou a proposta após a consulta pública e ratificou as quotas mensais provisórias de 2026. Segundo o órgão, a CDE financia políticas públicas, subsídios e programas do setor elétrico.

Conta precisa mostrar quem se beneficia

O crescimento da parcela tarifária torna a transparência mais importante. O consumidor precisa identificar o peso da CDE na conta e conhecer cada política financiada. O total anual não permite calcular um valor médio por residência sem dados de consumo e distribuição.

A confirmação orçamentária também não mede o resultado dos programas. Saber quanto foi reservado é diferente de saber quantas famílias foram atendidas. A avaliação exige acompanhar execução, beneficiários e repasse por finalidade.

Como fizemos: Consultamos a decisão da Aneel de 27/10/2026. Subtraímos R$ 49,227 bilhões de R$ 52,66 bilhões e dividimos R$ 47,8 bilhões pelo total. Os valores são nominais e não foram corrigidos pela inflação. A fonte não apresenta impacto médio por consumidor.

Fontes