Investigações

PF bloqueia R$ 400 mi e investiga fraude no Seguro Defeso

Operação no Maranhão cumpre 35 mandados e apura prejuízo potencial de R$ 10 bilhões em cinco anos; valor ainda não é dano confirmado.

Dois pescadores sob uma cobertura de palha entre canoas no rio Pericumã, no Maranhão.
Pescadores no rio Pericumã, em Pinheiro (MA), em foto de arquivo de julho de 2012.Foto: Jailson Moreira / Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0)

A Polícia Federal (PF) bloqueou aproximadamente R$ 400 milhões em bens e valores nesta quarta-feira (28). A medida integra a Operação Indefeso, que investiga fraudes na concessão do Seguro Defeso no Maranhão.

A PF estima que o esquema poderia causar prejuízo de R$ 10 bilhões em cinco anos. Esse valor é uma projeção de dano potencial, não um prejuízo já confirmado. O bloqueio corresponde a 4% dessa estimativa.

O Seguro Defeso garante renda ao pescador artesanal durante a parada legal da pesca. Segundo a PF, o grupo investigado inseria dados falsos em sistemas públicos e usava documentos fraudulentos. Agentes públicos e particulares podem ter participado.

Operação alcança 16 municípios

Cerca de 160 policiais cumpriram 35 mandados de busca e apreensão em 16 municípios maranhenses. A Controladoria-Geral da União (CGU), órgão federal de controle, deu apoio técnico à ação.

A Justiça afastou cautelarmente dois agentes públicos investigados. Também determinou 17 medidas cautelares diferentes da prisão. Essas decisões buscam interromper a suspeita e preservar a apuração, mas não representam condenação.

Bloqueio equivale a 4% do prejuízo potencial estimado Principais números informados pela PF em 28 de outubro de 2026

Medida ou efeito Valor
Prejuízo potencial estimado em cinco anos R$ 10 bilhões
Bens e valores bloqueados R$ 400 milhões
Mandados de busca e apreensão 35
Municípios alcançados 16
Agentes públicos afastados cautelarmente 2

Fonte: Polícia Federal. Percentual calculado pela redação.

A diferença entre os valores mostra o que ainda precisa ser apurado. A PF informou que analisará o material apreendido para quantificar o dano com precisão. Veículos, armas, documentos e telefones celulares foram recolhidos durante as buscas.

A nota oficial não informa quantos benefícios foram concedidos irregularmente nem quantas pessoas são investigadas. Também não apresenta a metodologia da projeção de cinco anos. Sem esses dados, não é possível calcular um valor médio por benefício ou comparar o caso com o gasto anual do programa.

Benefício legítimo não está sob acusação

A investigação não questiona a existência do Seguro Defeso. O alvo é a concessão indevida do benefício. A distinção protege tanto os cofres públicos quanto os pescadores que cumprem as regras.

Os investigados podem responder por organização criminosa e estelionato previdenciário, conforme a PF. Também são apurados possíveis crimes de inserção de dados falsos, corrupção e lavagem de dinheiro. A lista descreve hipóteses investigadas, não fatos julgados.

A operação ainda está na fase de investigação. Busca e apreensão permite recolher elementos de prova. Depois, o Ministério Público avaliará se há base para apresentar denúncia à Justiça, o que ainda não foi informado pela PF.

O que diz a Polícia Federal: Em nota oficial, a PF afirma que os indícios apontam para fraude na concessão do benefício e possível participação de agentes públicos e particulares. O órgão informa que as diligências continuarão para identificar outros envolvidos e medir o prejuízo.

Próxima etapa depende do material apreendido

O bloqueio busca preservar patrimônio para eventual ressarcimento. A devolução de recursos, porém, depende do andamento do processo e das decisões judiciais. Não é possível afirmar agora quanto será recuperado.

O próximo ponto será a análise dos documentos e aparelhos. Ela deve delimitar a atuação dos investigados e o número de benefícios afetados. Até lá, os R$ 10 bilhões devem ser lidos como estimativa máxima apresentada pela PF, não como desvio comprovado.

Como fizemos: Consultamos a nota oficial da PF publicada em 28/10/2026. Dividimos os R$ 400 milhões bloqueados pela estimativa de R$ 10 bilhões para obter 4%. A fonte não informa quanto já foi efetivamente perdido nem detalha os beneficiários investigados.

Fontes