Investigações

PF investiga R$ 100 mi aplicados por previdência municipal

Operação Entressafras cumpre nove mandados em SP e PE e apura investimentos do São Roque Prev sem pareceres técnicos adequados.

Vista aérea da cidade de São Roque cercada por vegetação e montanhas.
Vista de São Roque, no interior de São Paulo, em foto de arquivo de julho de 2022.Foto: Daniel Whistler / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

A Polícia Federal (PF) cumpriu nove mandados de busca e apreensão nesta terça-feira (27) na Operação Entressafras. A ação investiga aplicações de cerca de R$ 100 milhões feitas pela previdência dos servidores de São Roque, em São Paulo.

Os investimentos ocorreram entre 2022 e 2024. Segundo a PF, não tinham pareceres técnicos e fundamentação adequados. Também não observaram os parâmetros exigidos para esse tipo de movimentação.

O valor corresponde às aplicações investigadas, não a um prejuízo confirmado. A nota oficial não informa quanto foi perdido nem quanto pode ser recuperado. Essa diferença será central para medir o dano aos servidores e ao município.

Buscas alcançam dois estados

Os mandados foram cumpridos em São Paulo e Pernambuco. A PF não divulgou nomes, cargos ou número de investigados. Também não informou quais produtos financeiros receberam os recursos.

O Instituto de Previdência Social dos Servidores Municipais de São Roque é chamado São Roque Prev. O instituto administra a previdência própria dos trabalhadores municipais, distinta do regime geral do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

Investigação alcança R$ 100 milhões em aplicações Dados divulgados pela PF sobre a Operação Entressafras

Item Informação
Valor dos investimentos apurados Cerca de R$ 100 milhões
Período das aplicações 2022 a 2024
Mandados de busca e apreensão 9
Estados com diligências 2
Prejuízo divulgado Não informado

Fonte: Polícia Federal, nota de 27/10/2026.

O período reúne três anos civis. A PF não detalhou quanto foi aplicado em cada um. Sem essa divisão, não é possível identificar se os investimentos cresceram nem comparar valores com receitas ou reservas do instituto.

Também falta informação sobre retorno e resgate das aplicações. Um investimento sem documentação adequada pode ter saldo preservado ou prejuízo. Por isso, o montante investigado mede a exposição examinada, enquanto o dano exigirá avaliação contábil e financeira.

Gestão de recursos exige documentação

Previdência municipal depende de reservas para pagar benefícios presentes e futuros. A escolha de aplicações precisa ser justificada tecnicamente. O documento permite avaliar risco, prazo e adequação às obrigações do fundo.

A ausência de pareceres apontada pela PF é objeto de investigação, não conclusão judicial. Os investigados poderão responder por gestão fraudulenta e peculato financeiro. Também são apurados possíveis crimes contra a administração pública e lavagem de dinheiro.

Gestão fraudulenta envolve administrar instituição financeira de forma lesiva ou temerária, conforme a hipótese investigada. Peculato financeiro se refere a apropriação ou desvio de recursos em contexto financeiro. A imputação definitiva dependerá das provas e do Ministério Público.

As buscas servem para reunir documentos e arquivos. Não equivalem a denúncia nem à abertura de ação penal. Até a divulgação da operação, a PF apresentava possíveis crimes, sem nomear réus ou condenados.

O que diz a Polícia Federal: Em nota, a PF afirma que as aplicações não eram amparadas por pareceres técnicos e fundamentação adequados. O órgão investiga possíveis crimes contra o Sistema Financeiro Nacional e não apresenta cálculo de prejuízo.

Próximo passo é rastrear ativos e decisões

A análise do material apreendido deverá esclarecer quem decidiu cada aplicação. Também poderá mostrar rentabilidade, taxas, contrapartes e saldo atual. Esses elementos são necessários para calcular eventual dano.

Para o servidor municipal, a pergunta principal é quanto das reservas permanece disponível. Para o contribuinte, importa saber se o município precisará cobrir perdas. A PF ainda não respondeu publicamente a essas questões.

Como fizemos: Consultamos a nota oficial da PF publicada em 27/10/2026. Comparamos o valor das aplicações com a ausência de estimativa de perda. Não distribuímos os R$ 100 milhões por ano nem calculamos prejuízo, porque os dados não foram divulgados.

Fontes