PF apura contratos de R$ 200 mi para castração animal
Segunda fase da Operação Castratio cumpre cinco mandados no Rio; valor dos contratos não equivale ao prejuízo ainda investigado.

A Polícia Federal (PF) cumpriu cinco mandados de busca e apreensão nesta terça-feira (27) na segunda fase da Operação Castratio. A investigação alcança contratos de cerca de R$ 200 milhões para castração de animais no Rio de Janeiro.
Os contratos foram firmados pelo governo fluminense com a empresa Consuvet. A PF investiga direcionamento, superfaturamento e fraude em licitação. O valor contratado não deve ser confundido com prejuízo: a apuração do eventual dano continua.
As buscas ocorreram no Rio e em Niterói, com ordens do Supremo Tribunal Federal (STF). O deputado federal Marcelo Queiroz voltou a ser alvo. Ele era secretário estadual de Agricultura quando os atos investigados ocorreram.
Segunda fase usa provas recolhidas em maio
A primeira etapa da operação aconteceu em maio de 2026. Na ocasião, agentes cumpriram 12 mandados no Rio e em São Paulo. O celular do deputado foi apreendido, segundo a Agência Brasil.
A nova fase decorre do material recolhido anteriormente. A PF busca agora delimitar a extensão da suposta organização e suas práticas. Somadas, as duas etapas tiveram 17 mandados de busca, em locais e datas diferentes.
Investigação soma 17 buscas em duas fases Etapas da Operação Castratio informadas pela PF
| Etapa | Data | Buscas | Foco informado |
|---|---|---|---|
| Primeira fase | Maio de 2026 | 12 | Contratos e material inicial |
| Segunda fase | 27 de outubro de 2026 | 5 | Extensão do grupo investigado |
| Total | 2026 | 17 | Apuração ainda em curso |
Fonte: Polícia Federal e Agência Brasil. Elaboração: redação.
A Consuvet foi criada meses antes de assinar o primeiro contrato com a secretaria, em julho de 2021. Esse dado temporal integra a suspeita relatada pela PF. Por si só, não demonstra crime nem define responsabilidade individual.
Suspeita não equivale a condenação
Peculato é desvio de recurso público por quem tem cargo público. A PF também apura possíveis crimes de corrupção ativa e passiva e lavagem de dinheiro. Essas são hipóteses sob investigação.
Busca e apreensão é medida destinada a localizar provas. Ela não transforma o investigado em réu. Uma ação penal exige denúncia do Ministério Público e aceitação pela Justiça, etapas que não foram anunciadas nesta operação.
O caso também exige separar três valores: montante contratado, quantia paga e eventual dano. A divulgação oficial apresenta apenas o total aproximado dos contratos. Não informa quanto foi executado nem calcula prejuízo aos cofres fluminenses.
Superfaturamento e sobrepreço também não são sinônimos. O segundo indica preço acima da referência de mercado. O primeiro exige comprovação de dano aos cofres. A PF menciona os dois fenômenos como objetos de apuração, mas ainda não divulgou comparação de preços ou valores por animal atendido.
O que diz Marcelo Queiroz: A Agência Brasil informou que tentou contato com o deputado e seu gabinete, mas não obteve resposta até a publicação. A PF, por sua vez, afirma em nota que investiga direcionamento, superfaturamento e fraude, sem apresentar conclusão sobre o dano.
Contratos e pagamentos precisam ser conferidos
A análise dos documentos apreendidos deverá mostrar a participação de cada investigado. Também poderá esclarecer quais serviços foram entregues e quais valores foram efetivamente pagos.
Para o contribuinte, essa distinção é sempre central. Um contrato de R$ 200 milhões representa exposição orçamentária, mas o ressarcimento depende de dano comprovado. O andamento do caso poderá ser acompanhado em eventuais manifestações do Ministério Público e do STF.
Como fizemos: Comparamos as notas da PF e da Agência Brasil sobre as duas fases, acessadas em 28/10/2026. Somamos os 12 mandados de maio aos cinco de outubro. Não calculamos prejuízo, porque as fontes divulgaram somente o valor aproximado dos contratos.
Fontes
- PF apura irregularidades em contratos no Rio de Janeiro — Polícia Federal (27/10/2026) (acesso em 28/10/2026)
- Deputado do Rio volta a ser alvo da PF por suspeita de fraudes — Agência Brasil (28/10/2026) (acesso em 28/10/2026)
- Deputado Marcelo Queiroz — Pablo Valadares / Câmara dos Deputados / Wikimedia Commons, CC BY 3.0 (acesso em 28/10/2026)



