Investigações

Operação apura contratos municipais e bloqueia R$ 2,7 milhões

MPSC cumpre 51 buscas em seis cidades catarinenses; apenas duas prefeituras são alvos, e bens bloqueados não significam prejuízo confirmado.

Pessoa de costas observa um vale com morros e vegetação em Alfredo Wagner, Santa Catarina, sob céu azul com nuvens.
Paisagem de Alfredo Wagner, um dos municípios cuja prefeitura foi alvo de buscas, em foto de janeiro de 2012.Foto: Felipe Madureira / Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0)

O Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) cumpriu 51 mandados de busca e apreensão nesta terça-feira (27). A Operação Dominus Urbis investiga suspeitas de fraude em licitações, favorecimento de empresas e lavagem de dinheiro.

As diligências ocorreram em seis municípios. Somente as prefeituras de Alfredo Wagner e Bocaina do Sul foram alvos, segundo o MPSC. A Justiça também determinou o bloqueio de bens e valores acima de R$ 2,7 milhões.

A investigação aponta indícios de coordenação entre agentes públicos, empresários, familiares e pessoas interpostas. O objetivo seria beneficiar empresas em contratações públicas e esconder a movimentação de recursos. As suspeitas ainda não são denúncia nem condenação.

O que foi bloqueado e o que foi apreendido

O valor bloqueado não deve ser confundido com prejuízo comprovado aos cofres públicos. A indisponibilidade de bens busca garantir eventual ressarcimento no futuro. O cálculo do dano, se houver, dependerá da investigação e do processo.

O piso do bloqueio é cerca de 25 vezes os R$ 105.713 apreendidos em espécie. Também foram recolhidos R$ 474.284,01 em cheques e duas notas promissórias que somam R$ 60 mil. Cheques e promissórias não equivalem a dinheiro já disponível.

Bloqueio e apreensões têm naturezas diferentes Valores informados pelo MPSC na operação desta terça-feira

Medida ou material Valor ou quantidade
Bens e valores indisponíveis Mais de R$ 2,7 milhões
Dinheiro em espécie apreendido R$ 105.713
Cheques apreendidos R$ 474.284,01
Notas promissórias apreendidas R$ 60 mil
Equipamentos eletrônicos e dispositivos 48 unidades

Fonte: Ministério Público de Santa Catarina. Total de equipamentos: elaboração da redação.

Os 48 itens incluem 32 celulares, nove notebooks, dois computadores e cinco dispositivos de armazenamento. A Polícia Científica fará a análise pericial desse material. Documentos fiscais, contábeis e agendas também foram recolhidos.

Buscas em seis cidades, duas prefeituras

Os mandados foram expedidos pelo Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC) a pedido do MPSC. Endereços em Alfredo Wagner, Bocaina do Sul, Palhoça, Blumenau, Xaxim e Ilhota foram incluídos. Houve buscas em residências, empresas e órgãos públicos municipais.

A operação mobilizou 93 agentes, 37 viaturas e 51 equipes. O Batalhão de Aviação da Polícia Militar deu apoio. O trabalho foi conduzido pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco), força-tarefa coordenada pelo MPSC. O Grupo Especial Anticorrupção (GEAC) e a Subprocuradoria-Geral de Justiça para Assuntos Jurídicos também participaram, segundo o MPSC.

Durante as diligências, houve dois autos de prisão em flagrante por posse ilegal de arma de fogo. Um investigado também foi autuado em flagrante por lavagem de capitais, conforme o comunicado oficial. Prisão em flagrante registra uma ocorrência, não encerra a apuração.

O que diz o MPSC: Em nota oficial, o órgão afirma que a operação aprofunda uma investigação sobre possíveis crimes contra a administração pública. O processo tramita sob sigilo judicial, e novas informações poderão ser divulgadas conforme o andamento do caso.

O que vem depois

A perícia nos equipamentos e documentos é o próximo passo anunciado. O material pode ampliar a compreensão sobre contratos, pagamentos e a circulação de recursos. O sigilo limita, por ora, a identificação dos investigados e dos processos municipais examinados.

Para o contribuinte, três números precisam permanecer separados: valor bloqueado, dinheiro apreendido e eventual dano ao erário. Os dois primeiros já foram informados. O terceiro ainda não foi divulgado.

Como fizemos: Usamos o comunicado do MPSC publicado em 27/10/2026 e a cobertura do GCD, acessados na mesma data. Somamos celulares, notebooks, computadores e dispositivos de armazenamento para chegar a 48 itens. Dividimos R$ 2,7 milhões por R$ 105.713 para aproximar a comparação. O bloqueio ultrapassa R$ 2,7 milhões, e não representa dano confirmado.

Fontes