Investigações

MP-SP mira mais de R$ 4 milhões em pagamentos suspeitos em Bauru

Terceira fase da Operação Cavalo de Troia apura contrato de lixo de R$ 5,2 bilhões em Bauru (SP). Investigados ainda não foram condenados.

Ilustração abstrata em tons de azul e dourado, sem pessoas nem lugares reais, usada como imagem provisória desta matéria.
Imagem provisória: ainda não há foto licenciada da Prefeitura de Bauru para esta matéria.Ilustração: Imagem provisória

Na sexta-feira (23), o Ministério Público de São Paulo (MPSP) cumpriu a terceira fase da Operação Cavalo de Troia, em Bauru, no interior paulista. Segundo a investigação, pagamentos ligados à suspeita de fraude já somam mais de R$ 4 milhões. O caso envolve a concessão da coleta e do destino final do lixo da cidade, um contrato estimado em R$ 5,2 bilhões por 30 anos.

A investigação começou em 9 de setembro de 2026. Naquele dia, o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do MPSP, cumpriu 7 mandados de prisão temporária e 20 de busca e apreensão, segundo o em.com.br. As suspeitas incluem organização criminosa, fraude em licitação, advocacia administrativa (defender interesse privado dentro do próprio governo) e falsidade ideológica.

Em 28 de setembro, o MPSP denunciou seis pessoas, entre elas ex-secretários municipais e um executivo de empresa do setor de lixo, segundo o Diário do Grande ABC. Denunciado é quem o Ministério Público acusou formalmente na Justiça. Denunciado ainda não é condenado.

Como a suspeita funcionaria

Segundo o MPSP, citado pelo em.com.br, um secretário com vínculos profissionais e financeiros com a empresa beneficiada foi colocado na administração municipal para influenciar o contrato. Os promotores também apontam exigências técnicas e financeiras restritivas no edital. Elas afastariam outros concorrentes, segundo a mesma reportagem.

Na terceira fase, um investigado acusado de intermediar propinas na concessão foi preso preventivamente, segundo a CNN Brasil. A prisão preventiva é decretada antes de qualquer julgamento. O JCNET (Sampi) informa que ele foi preso na capital paulista.

Os pagamentos teriam passado por empresas e contratos sem base econômica real, de acordo com a investigação. Os serviços cobrados ainda estão sendo verificados. A Justiça determinou o bloqueio de bens dos investigados em até R$ 20 milhões, segundo a CNN Brasil e o Sampi.

Números do caso em Bauru

Valores informados pelo MPSP e pela imprensa, em reais, de setembro a outubro de 2026

Item Valor
Concessão de coleta e destino do lixo, por 30 anos (estimativa) R$ 5,2 bi
Pagamentos ligados à suspeita, identificados até agora mais de R$ 4 mi
Limite do bloqueio de bens dos investigados R$ 20 mi
Pessoas presas nas três fases 8

Fontes: CNN Brasil (23/10/2026), JCNET/Sampi (23/10/2026), em.com.br (09/09/2026). Elaboração: redação.

Entre os presos está o secretário de Governo, Renato Purini, preso em 16 de outubro, segundo a CNN Brasil. Ele é investigado, e nenhum dos investigados foi condenado.

O que diz a Prefeitura de Bauru: Em 9 de setembro, a prefeitura disse, segundo o em.com.br, que “respeita a atuação do MPSP” e que “irá colaborar com todas as etapas da investigação”. Não localizamos manifestação publicada sobre a terceira fase.

O que está em aberto

Segundo a CNN Brasil, o projeto de concessão foi cancelado, mas a investigação criminal continua. Segundo o Diário do Grande ABC, o Tribunal de Contas do Estado suspendeu o edital, sem informar a data. A Câmara Municipal também analisa uma Comissão Processante que examina a concessão. A prefeita, Suéllen Rosim (PSD), deve prestar depoimento à comissão, segundo a mesma reportagem.

Para acompanhar o caso, o leitor pode consultar as notas do MPSP e a pauta da Câmara de Bauru. Três perguntas ajudam a ler as próximas notícias. Para quem foram pagos os R$ 4 milhões, e por qual serviço? Quem redigiu o edital, e com quais justificativas? O que a Justiça decidir sobre os bens bloqueados?

Nenhum dos fatos citados foi julgado. A cidade já sabe quanto estava em jogo no contrato. Ainda não sabe quanto dos pagamentos foi, de fato, pelo serviço prestado.

Como fizemos: Usamos reportagens da CNN Brasil e do JCNET (Sampi), de 23/10/2026, do Encontra Bauru, de 24/10/2026, do em.com.br, de 09/09/2026, e do Diário do Grande ABC, de 28/09/2026. A página do MPSP não abriu na nossa consulta, e não tivemos acesso aos autos. Os valores são os informados pelas reportagens. O valor de R$ 5,2 bilhões é a estimativa do contrato, e não um dano aos cofres públicos. Acessos em 24/10/2026.

Fontes