Gastos públicos

Corretora, CPF e custos: o que checar antes do primeiro investimento

Corretora autorizada, registro na B3, taxa do Tesouro Direto, imposto sobre ações e garantia do FGC: o que conferir antes de aplicar pela primeira vez.

Fachada de prédio de vidro e azulejo branco com a inscrição MINISTÉRIO DA FAZENDA em letras douradas, em Brasília.
Sede do Ministério da Fazenda, em Brasília. A Secretaria do Tesouro Nacional, que administra o Tesouro Direto, integra o ministério.Foto: Pedro França / Agência Senado / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

A taxa de custódia do Tesouro Direto é de 0,2% ao ano sobre o valor dos títulos. No Tesouro Selic, quem tem até R$ 10 mil por CPF não paga essa taxa.

O Tesouro Direto vende títulos da dívida pública federal, emitidos pelo Tesouro Nacional. Dívida pública é o dinheiro que o governo toma emprestado de investidores. Os dados do programa estão no Tesouro Transparente, portal de dados do próprio Tesouro.

Quem começa a investir precisa entender três peças: a corretora, a B3 e o Cadastro de Pessoa Física (CPF), o número de identificação de cada pessoa. Este texto explica cada uma, os custos e os riscos. Não indica ativo, prazo ou corretora.

Quem intermedeia a compra

A B3 é a bolsa de valores do país. Para comprar ações ou títulos, a pessoa física abre conta em uma corretora ou banco habilitado. Segundo a B3, basta ter CPF e conta em instituição financeira habilitada para se tornar investidor.

Antes de escolher, confira a autorização. A Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que regula o mercado, orienta verificar se a corretora tem autorização antes de contratá-la. A consulta é feita no Cadastro Geral da CVM. A CVM também sugere checar processos sancionadores contra a empresa.

Depois da abertura, a Área do Investidor da B3, com login pelo CPF, mostra os ativos guardados em nome do investidor. Ela também emite extratos e informes para o Imposto de Renda (IR).

Quanto custa

Cada corretora define sua tabela de corretagem, a taxa cobrada por operação. Compare a tabela antes de operar.

No Tesouro Direto, a taxa de custódia é cobrada de forma proporcional. Ela incide na venda antecipada, no vencimento ou no pagamento de juros. No Tesouro Selic, a cobrança vale só para o valor acima de R$ 10 mil por CPF.

O IR muda conforme o produto. Em ações, o imposto incide sobre o lucro. No swing trade, em que compra e venda ocorrem em dias diferentes, a alíquota é de 15%. No day trade, compra e venda no mesmo dia, a alíquota é de 20%.

Nas vendas de ações em swing trade, há isenção se o total vendido no mês não passar de R$ 20 mil. O limite considera o valor vendido, e não o lucro. A isenção não vale para day trade, segundo o Bora Investir, o portal educativo da B3.

No Tesouro Direto, a tabela é regressiva: quanto maior o prazo, menor a alíquota. Ela vai de 22,5% para resgates em até 180 dias até 15% acima de 720 dias. O imposto incide só sobre o rendimento e é descontado na fonte.

Garantia do FGC

O Fundo Garantidor de Créditos (FGC) cobre até R$ 250 mil por CPF em cada instituição. O limite vale para todo o conglomerado, o grupo financeiro. A garantia cobre contas, CDBs (certificados de depósito bancário) e letras de crédito, como LCI e LCA. Ações não aparecem entre os produtos garantidos.

Riscos

Ações podem perder valor, por motivos da empresa ou do mercado. Em momentos de pânico, as quedas podem se aprofundar.

Títulos do Tesouro também podem perder valor. Se o investidor vende antes do vencimento, o Tesouro recompra o título pelo preço de mercado do dia. Esse preço pode ficar abaixo do valor aplicado. Quem mantém o título até o vencimento recebe a rentabilidade contratada na compra.

O que isso significa

Antes de aplicar, o investidor pode checar a corretora na CVM, comparar as taxas e calcular quanto o imposto leva do ganho. Nenhum investimento tem retorno garantido. As regras de IR mudam por lei, então vale conferir a versão vigente na Receita Federal antes de declarar.

O que diz o Tesouro Nacional: Segundo as regras publicadas no site do Tesouro Direto, a venda antecipada é recomprada pelo Tesouro a preço de mercado, e o retorno pode ser diferente do contratado. A posição vem da página oficial; o órgão não foi procurado para esta reportagem.

Como fizemos: Consultamos as regras do Tesouro Direto, as páginas da B3 e do Bora Investir sobre IR, a página do FGC e o guia da CVM sobre escolha de corretora, acessados em 26 de outubro de 2026. Os percentuais e limites são os publicados nessas fontes, sem cálculo próprio. Não verificamos as tarifas de nenhuma corretora, e as regras de imposto podem mudar.

Fontes