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Americanas caiu 77% em um dia e mostra o risco de uma só ação

Em 12 de janeiro de 2023, ações da Americanas fecharam em queda de 77%. Entenda por que concentrar em uma empresa é mais arriscado que diversificar.

Fachada de pedra com três portas em arco, de grade preta, e as letras douradas BOVESPA sobre as portas.
Fachada com a marca Bovespa na sede da B3, no centro de São Paulo.Foto: Wilfredor / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

No dia 12 de janeiro de 2023, as ações da Americanas fecharam em queda de 77,33%, a R$ 2,72. No pregão anterior, a cotação era de R$ 12. Quem tinha todo o dinheiro em um único papel perdeu mais de três quartos do valor em um dia.

Investir não é o mesmo que apostar tudo em uma empresa. A diferença está no risco, no uso de dinheiro emprestado e na forma de operar. Este texto explica esses mecanismos, sem indicar nenhum ativo.

Uma empresa pode cair sozinha

Uma ação é uma parte do capital de uma empresa. Se a companhia perde a confiança do mercado, o preço pode despencar. Esse é o risco específico, ligado a uma empresa ou a um setor.

O Bora Investir, portal educativo da B3, a bolsa brasileira, diz que “uma carteira bem diversificada elimina os efeitos dos riscos específicos, deixando apenas o risco sistêmico”. O risco sistêmico atinge o mercado inteiro, em crises gerais. Ter muitos papéis, porém, não basta. O portal afirma que “diversificar investimentos não é colecionar aplicações”.

Quem tem só as ações de uma empresa afetada, segundo o mesmo portal, “terá uma perda muito maior”. Um índice, como o Ibovespa, reúne dezenas de companhias. Uma falha isolada pesa menos nele. Mesmo assim, o índice também pode cair.

Dinheiro emprestado amplia ganhos e perdas

Alavancagem é operar com dinheiro emprestado. Segundo a B3, quem usa essa estratégia “poderá ampliar os seus lucros, mas também suas perdas”. No exemplo do portal, quem pega R$ 100 emprestados para dobrar o lucro também assume o risco de um prejuízo em dobro.

Day trade é comprar e vender o mesmo ativo no mesmo dia. Nessa modalidade, a corretora exige apenas uma margem de garantia, “uma fração do montante negociado”. Por isso, a exposição pode ser maior que o dinheiro depositado.

O que mostra o estudo sobre day trade

Um estudo de Fernando Chague, Rodrigo De-Losso e Bruno Giovannetti, da FGV EESP, acompanhou pessoas que começaram a fazer day trade no mercado de futuros de ações da B3 entre 2013 e 2015. Entre as que continuaram por pelo menos 300 dias, 97% perderam dinheiro. Só 0,4% ganhou mais que o rendimento diário de um caixa de banco, estimado em US$ 54.

O texto diz que os dados vieram da CVM. Trata-se de um texto para discussão, de fevereiro de 2020, e não mede todos os day traders. Mede quem persistiu na atividade no período.

Quem alerta, e como

Em 29 de janeiro de 2021, a CVM alertou para a “possível atuação irregular de pessoas em mídias sociais, com vistas a influenciar o comportamento de investidores”. O alerta veio após tentativas de impulsionar artificialmente os papéis da IRB Brasil.

Pump and dump, ou “inflar e vender”, é um esquema em que alguém empurra o preço de um papel com recomendações enganosas e vende antes da queda. Quem comprou depois pode ficar com o papel. O portal do investidor da CVM tem a ferramenta Consulta a Profissionais de Mercado, para conferir quem está autorizado.

O que diz a CVM: Em alerta de 29 de janeiro de 2021, a autarquia afirmou que atuar com esse objetivo “pode caracterizar ilícitos administrativos e penais”. Segundo a notícia que cita o alerta, a CVM monitora as redes sociais. Fonte: Seu Dinheiro.

O que isso significa

Uma empresa pode perder quase todo o valor. Um índice reúne muitas empresas, por isso uma falha pesa menos nele. Nenhuma aplicação tem retorno garantido, e qualquer ativo pode perder valor. Em momentos de pânico, as quedas podem se aprofundar.

Diversificar reduz o peso de uma falha isolada. Não elimina o risco do mercado como um todo.

Como fizemos: Usamos a cotação de fechamento da Americanas em 12/01/2023, divulgada pelo Poder360, e o comunicado da B3 de 6 de julho de 2026, que informa 5,6 milhões de CPFs de pessoas físicas em renda variável no primeiro trimestre de 2026. Os trechos sobre diversificação e alavancagem vêm do Bora Investir, da B3, publicado em outubro de 2024. Os números do estudo vêm do próprio texto da FGV EESP, lido em resumo. Acessamos as fontes em 26/10/2026. Não fizemos cálculos próprios; a queda de 77,33% é a informada pela fonte. Não encontramos a versão atual, para o segundo trimestre de 2026, do levantamento da B3 sobre investidores.

Fontes