Investigações

PF apura desvio de verba pública em centro de idosos de Ceilândia

A Polícia Federal fez buscas no DF por suspeita de desvio de verba pública de um centro de convivência para idosos em Ceilândia.

Vista aérea de Ceilândia, no Distrito Federal, com prédios baixos, casas de telhado vermelho, avenidas e uma área arborizada.
Vista aérea de Ceilândia (DF), cidade onde fica o centro investigado. Imagem de arquivo de 2017, que não mostra o centro.Foto: Tony Winston / Agência Brasília / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

Na quinta-feira (15), a Polícia Federal (PF) cumpriu dois mandados de busca e apreensão no Distrito Federal. A ação, chamada Operação Prática Infiel, apura suspeita de desvio de verba pública usada para implantar um centro de convivência para pessoas idosas em Ceilândia. A PF divulgou nota sobre a operação no mesmo dia.

Nenhum suspeito foi nomeado, e o valor investigado não foi divulgado. Nenhuma das reportagens consultadas informa denúncia ou ação na Justiça. Ou seja, o caso está na fase de investigação.

A PF afirma que a apuração começou com uma notícia-crime do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos (MMFDH). Notícia-crime é a comunicação de um possível crime enviada às autoridades. O ministério a enviou sobre a execução de um termo de fomento.

O termo de fomento é o instrumento usado quando uma organização da sociedade civil propõe um projeto e recebe repasse de dinheiro público. A Lei 13.019/2014 regula essas parcerias. As reportagens não identificam a organização que firmou o acordo.

O que a PF aponta

Em nota, a PF cita “indícios de irregularidades na seleção de fornecedores, na execução do projeto e na prestação de contas dos recursos públicos”. Segundo a apuração, há também suspeita de favorecimento indevido em contratações.

Os investigadores também checam se documentos foram usados para simular o cumprimento das obrigações do termo. Os textos não dizem quais são esses documentos, nem quanto dinheiro está em jogo.

A PF diz que pretende “identificar os possíveis responsáveis e verificar a destinação dos recursos públicos envolvidos”, segundo o Mix Vale.

Em que fase está o caso

Quem é alvo de uma investigação é chamado de investigado. Indiciado é quem a polícia aponta como responsável ao concluir o inquérito. Nenhuma dessas etapas foi informada até agora.

Ao fim do inquérito, a PF envia o relatório ao Ministério Público (MP). O MP decide se apresenta denúncia à Justiça. Só depois de a Justiça aceitar a denúncia o caso vira ação penal, e o acusado passa a ser réu.

Como acompanhar

O cidadão pode pedir, pela Lei de Acesso à Informação (LAI), o plano de trabalho do termo, a prestação de contas e o valor repassado. A lei manda o órgão responder em prazo definido. Pedido negado pode ser recorrido.

Para acompanhar a operação, vale consultar as notas da PF no site gov.br/pf. Nesse caso, as notas não trazem nomes.

Até agora, os fatos publicados tratam da execução de um termo de fomento, não de culpa de ninguém. Os próximos passos dependem do inquérito: quem são os responsáveis, quanto foi gasto e se o centro funcionou como o projeto previa.

O que diz a Polícia Federal: Em nota, a PF afirma haver “indícios de irregularidades” na seleção de fornecedores, na execução do projeto e na prestação de contas. A organização que recebeu o repasse não foi identificada pela PF nem pelas reportagens consultadas, e nenhuma delas traz resposta dela.

Como fizemos: Usamos três reportagens publicadas em 15 e 16 de outubro de 2026, do Metrópoles, do Mix Vale e do ND Mais, acessadas em 22 de outubro de 2026. Não localizamos a nota completa da PF no site oficial. A organização não foi identificada, por isso não recebeu perguntas desta redação. Não fizemos cálculos; os textos não informam valores nem nomes.

Fontes