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Lava Jato sem exceção: Flávio pediu US$ 24 milhões ao dono do Master

Nós, que defendemos a Lava Jato, aprendemos a seguir o dinheiro. No caso Dark Horse, ele leva a Flávio, a um banqueiro preso e a um fundo parado no Texas.

Este é um artigo de opinião. Ele reflete as ideias do autor, não necessariamente as do Jornal Tiradentes.

Multidão vestida de verde e amarelo ocupa a Avenida Paulista com faixas e bandeiras do Brasil.
Manifestação contra a corrupção e o governo Dilma Rousseff na Avenida Paulista, em São Paulo, em 13 de março de 2016 (imagem de arquivo).Foto: Rovena Rosa / Agência Brasil / Wikimedia Commons (CC BY 3.0 BR)

Nós, que fomos às ruas pela Lava Jato, aprendemos uma lição que não tem partido: siga o dinheiro. Foi assim que o país conheceu doleiros, contas no exterior e empresas de fachada. Aplicado hoje, o mesmo método chega a um nome que a direita está prestes a levar à Presidência.

Segundo o Intercept Brasil, Flávio Bolsonaro negociou com o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, US$ 24 milhões, cerca de R$ 134 milhões. O dinheiro era para o filme Dark Horse, sobre Jair Bolsonaro. Pelo menos US$ 10,6 milhões, cerca de R$ 61 milhões, foram pagos entre fevereiro e maio de 2025.

O destino não foi uma produtora. Foi a Havengate, um fundo parado no Texas, nos Estados Unidos, administrado pelo advogado de Eduardo Bolsonaro. Segundo o Intercept, o fundo foi registrado em 2020 para um projeto imobiliário que nunca obteve licenças.

Um roteiro que conhecemos de cor

Cada peça desse caso nos é familiar. Há um fundo sem atividade no exterior. Há um doleiro que virou delator: em setembro, o ministro André Mendonça homologou a delação de Antônio Carlos Freixo Júnior, o “Mineiro”. E há um pedido de cooperação internacional para seguir o dinheiro.

Em 9 de outubro, a Polícia Federal (PF) pediu ao Ministério da Justiça que buscasse ajuda dos Estados Unidos para rastrear os valores, informou a CNN Brasil. O inquérito, aberto no Supremo Tribunal Federal (STF) em julho, apura lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção, segundo a Agência Brasil. Eduardo também é alvo.

Sejamos francos. Se o nome no inquérito fosse de um petista, a direita já teria transformado cada uma dessas palavras em faixa na Avenida Paulista. Doleiro, fundo no exterior, banqueiro preso: era o vocabulário das nossas manifestações.

Investigado não é condenado, e não precisa ser

Precisamos ser justos, porque é isso que nos diferencia. Flávio é investigado, não réu. Não há denúncia contra ele no caso Dark Horse. Nós, que pedimos presunção de inocência para os nossos, devemos o mesmo a ele.

Mas a pergunta aqui não é se ele vai ser condenado. A Lava Jato nunca foi só sobre sentenças. Foi sobre um padrão de conduta que a direita decidiu não tolerar em quem governa. Foi sobre a ideia de que o poder deve satisfação a quem paga a conta.

E o padrão está documentado. Em 8 de setembro de 2025, Flávio pressionou Vorcaro por pagamentos atrasados. Em 16 de novembro, véspera da prisão do banqueiro, escreveu a ele: “Irmão, estou e estarei contigo sempre”. Quando o áudio veio a público, em 13 de maio de 2026, chamou a reportagem de mentira pela manhã e confirmou o pedido à noite, segundo o Poder360.

Não é preciso sentença para saber que um senador no exercício do mandato não deveria pedir milhões a um banqueiro. Nem chamá-lo de irmão na véspera da prisão. Nem negar de manhã o que confirma à noite.

Ninguém aqui pede que você goste de Lula. Pedimos coerência.

A direita exigiu explicações de cada petista investigado. Não pode, agora, aceitar como suficiente a palavra de um candidato flagrado pelo Aos Fatos em ao menos 43 declarações falsas sobre Vorcaro. Explicação, para nós, sempre quis dizer documento, extrato e contrato, não entrevista.

A Lava Jato não tinha exceção para amigos. Esse foi o seu valor e a razão do nosso apoio. Se agora abrirmos uma exceção para o sobrenome Bolsonaro, perderemos o direito de cobrar qualquer outro político amanhã.

O que diz Flávio Bolsonaro: ele confirmou ter buscado patrocínio privado para um filme privado, segundo o Poder360. Nega ter oferecido qualquer contrapartida a Vorcaro e nega o uso de dinheiro público.

A bandeira do combate à corrupção é nossa, e custou caro conquistá-la. Ela não pode ser entregue a quem pediu US$ 24 milhões ao dono do Master. Em 25 de outubro, o voto mais fiel à Lava Jato é aquele que não premia Flávio. A direita sobrevive a uma derrota; não sobrevive a abandonar o que defendeu.

Fontes