Investigado no STF por lavagem e corrupção não pode ser nosso candidato
Flávio é alvo do único inquérito criminal aberto contra ele, no STF, por lavagem, evasão de divisas e corrupção. A direita merece um candidato sem essa sombra.
Este é um artigo de opinião. Ele reflete as ideias do autor, não necessariamente as do Jornal Tiradentes.

Lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção. São essas as suspeitas do inquérito que corre no Supremo Tribunal Federal (STF) contra Flávio Bolsonaro, segundo a Agência Brasil. A cinco dias do segundo turno, é esse o candidato que a direita está prestes a levar ao Palácio do Planalto.
Nós, que defendemos a Lava Jato, a polícia e o agro, sempre dissemos que quem quer governar tem de estar acima de suspeita. Não por exigência de tribunal, mas por exigência de decência. Flávio não está.
E não se trata de acusação de adversário. É um inquérito aberto por um ministro do Supremo, a pedido da polícia e com o aval da Procuradoria.
O que pesa contra ele
O inquérito foi aberto pelo ministro André Mendonça a pedido da Polícia Federal (PF), com a concordância da Procuradoria-Geral da República (PGR). Eduardo Bolsonaro também é alvo.
O caso é o Dark Horse. Segundo o Intercept Brasil, Flávio negociou com o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, US$ 24 milhões, cerca de R$ 134 milhões, para um filme sobre o pai. O dinheiro foi para um fundo parado no Texas, administrado pelo advogado de Eduardo.
Em setembro, Mendonça homologou a delação do doleiro Antônio Carlos Freixo Júnior, o “Mineiro”. Delação é o acordo em que um investigado conta o que sabe em troca de benefícios na pena. Doleiro é quem movimenta moeda estrangeira, muitas vezes fora do sistema bancário oficial.
Segundo a PF, mais de US$ 12 milhões saíram do Brasil, mas só US$ 2,8 milhões têm registro de retorno. A polícia chamou a divergência de “severa”, relatou a DW, em texto publicado pelo O Povo. Em 16 de outubro, pediu mais 90 dias de investigação, segundo a ConJur.
É a única investigação criminal aberta contra Flávio. Uma basta, quando o assunto é a Presidência da República. Quem chega ao cargo comanda a própria PF que conduz o inquérito.
O que ele propõe para o tribunal que o investiga
A relação de Flávio com o STF não se resume ao inquérito. Em 1º de outubro, o ministro Edson Fachin rejeitou o pedido de Flávio para afastar o ministro Flávio Dino das ações que o envolvem, informou a Agência Brasil.
Seu plano de governo, registrado em agosto, propõe acabar com a competência do STF para julgar processos criminais originários, segundo o Congresso em Foco. Também prevê limitar decisões individuais dos ministros. A maior parte das mudanças dependeria de emendas à Constituição.
Propor reformas no Judiciário é legítimo. Mas um candidato investigado no STF que propõe tirar do STF os processos criminais cria um conflito evidente. Nós, da direita, sempre dissemos que ninguém escolhe o próprio juiz.
Sejamos justos, porque a justiça é nossa bandeira. Investigado não é condenado, e Flávio não é réu: não há denúncia contra ele. E é verdade que ele tem votos que agradaram a muitos eleitores, como o sim ao fim da escala 6x1, em 14 de outubro, segundo a Exame.
Mas a pergunta não é se Flávio vai ser condenado. É se a direita precisa entrar no Planalto carregando um inquérito por lavagem e corrupção. Não precisa.
Ninguém aqui pede que o leitor de direita goste de Lula. Pedimos que não entregue a bandeira a quem chega ao segundo turno sob investigação no Supremo. Um governo Flávio passaria quatro anos explicando Vorcaro. A direita merece passar esses anos construindo, não se defendendo.
O que diz Flávio Bolsonaro: ele afirma que o dinheiro de Vorcaro era privado e lícito e que o fato de ser senador não deu nada ao banqueiro. Atribui a diferença apontada pela PF a um contrato que não foi cumprido, segundo a CNN Brasil.
Investigado no STF por lavagem e corrupção não pode ser o nosso candidato. Não porque esteja condenado, mas porque a direita que pede ética não pode começar abrindo exceção para si mesma. No dia 25, recusar Flávio não é abandonar a direita. É preservá-la para quando tiver um nome à altura do que defende.
Fontes
- Mendonça incluiu Flávio Bolsonaro como investigado no caso Dark Horse — Agência Brasil
- Áudio: Flávio negociou milhões com Vorcaro — Intercept Brasil
- Flávio diz que dinheiro de Vorcaro para Dark Horse era lícito e privado — CNN Brasil
- “Dark Horse”: PF aponta divergência “severa” entre recursos enviados ao exterior — O Povo/DW
- PF pede prorrogação de inquérito sobre financiamento do Dark Horse — ConJur
- Fachin nega pedido para afastar Dino de ações sobre Flávio Bolsonaro — Agência Brasil
- Flávio propõe tirar processos criminais e reduzir competências do STF — Congresso em Foco
- Como Flávio Bolsonaro votou sobre o fim da escala 6x1 no Senado — Exame



