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Investigado no STF por lavagem e corrupção não pode ser nosso candidato

Flávio é alvo do único inquérito criminal aberto contra ele, no STF, por lavagem, evasão de divisas e corrupção. A direita merece um candidato sem essa sombra.

Este é um artigo de opinião. Ele reflete as ideias do autor, não necessariamente as do Jornal Tiradentes.

Ministros do Supremo Tribunal Federal, de toga, de pé no plenário da corte durante uma sessão solene.
O plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) durante a sessão solene de posse do ministro Cristiano Zanin, em 3 de agosto de 2023 (imagem de arquivo).Foto: Ricardo Stuckert / PR / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

Lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção. São essas as suspeitas do inquérito que corre no Supremo Tribunal Federal (STF) contra Flávio Bolsonaro, segundo a Agência Brasil. A cinco dias do segundo turno, é esse o candidato que a direita está prestes a levar ao Palácio do Planalto.

Nós, que defendemos a Lava Jato, a polícia e o agro, sempre dissemos que quem quer governar tem de estar acima de suspeita. Não por exigência de tribunal, mas por exigência de decência. Flávio não está.

E não se trata de acusação de adversário. É um inquérito aberto por um ministro do Supremo, a pedido da polícia e com o aval da Procuradoria.

O que pesa contra ele

O inquérito foi aberto pelo ministro André Mendonça a pedido da Polícia Federal (PF), com a concordância da Procuradoria-Geral da República (PGR). Eduardo Bolsonaro também é alvo.

O caso é o Dark Horse. Segundo o Intercept Brasil, Flávio negociou com o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, US$ 24 milhões, cerca de R$ 134 milhões, para um filme sobre o pai. O dinheiro foi para um fundo parado no Texas, administrado pelo advogado de Eduardo.

Em setembro, Mendonça homologou a delação do doleiro Antônio Carlos Freixo Júnior, o “Mineiro”. Delação é o acordo em que um investigado conta o que sabe em troca de benefícios na pena. Doleiro é quem movimenta moeda estrangeira, muitas vezes fora do sistema bancário oficial.

Segundo a PF, mais de US$ 12 milhões saíram do Brasil, mas só US$ 2,8 milhões têm registro de retorno. A polícia chamou a divergência de “severa”, relatou a DW, em texto publicado pelo O Povo. Em 16 de outubro, pediu mais 90 dias de investigação, segundo a ConJur.

É a única investigação criminal aberta contra Flávio. Uma basta, quando o assunto é a Presidência da República. Quem chega ao cargo comanda a própria PF que conduz o inquérito.

O que ele propõe para o tribunal que o investiga

A relação de Flávio com o STF não se resume ao inquérito. Em 1º de outubro, o ministro Edson Fachin rejeitou o pedido de Flávio para afastar o ministro Flávio Dino das ações que o envolvem, informou a Agência Brasil.

Seu plano de governo, registrado em agosto, propõe acabar com a competência do STF para julgar processos criminais originários, segundo o Congresso em Foco. Também prevê limitar decisões individuais dos ministros. A maior parte das mudanças dependeria de emendas à Constituição.

Propor reformas no Judiciário é legítimo. Mas um candidato investigado no STF que propõe tirar do STF os processos criminais cria um conflito evidente. Nós, da direita, sempre dissemos que ninguém escolhe o próprio juiz.

Sejamos justos, porque a justiça é nossa bandeira. Investigado não é condenado, e Flávio não é réu: não há denúncia contra ele. E é verdade que ele tem votos que agradaram a muitos eleitores, como o sim ao fim da escala 6x1, em 14 de outubro, segundo a Exame.

Mas a pergunta não é se Flávio vai ser condenado. É se a direita precisa entrar no Planalto carregando um inquérito por lavagem e corrupção. Não precisa.

Ninguém aqui pede que o leitor de direita goste de Lula. Pedimos que não entregue a bandeira a quem chega ao segundo turno sob investigação no Supremo. Um governo Flávio passaria quatro anos explicando Vorcaro. A direita merece passar esses anos construindo, não se defendendo.

O que diz Flávio Bolsonaro: ele afirma que o dinheiro de Vorcaro era privado e lícito e que o fato de ser senador não deu nada ao banqueiro. Atribui a diferença apontada pela PF a um contrato que não foi cumprido, segundo a CNN Brasil.

Investigado no STF por lavagem e corrupção não pode ser o nosso candidato. Não porque esteja condenado, mas porque a direita que pede ética não pode começar abrindo exceção para si mesma. No dia 25, recusar Flávio não é abandonar a direita. É preservá-la para quando tiver um nome à altura do que defende.

Fontes