Investigações

PF pede ajuda aos EUA para rastrear o dinheiro do Dark Horse

Em 9 de outubro, a Polícia Federal pediu ao Ministério da Justiça que acionasse os Estados Unidos para seguir o dinheiro de Vorcaro enviado a um fundo no Texas.

O Palácio da Justiça, prédio de concreto com arcos na fachada e placa com o nome em português e inglês, em Brasília.
O Palácio da Justiça, sede do Ministério da Justiça, na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, em 11 de abril de 2015 (imagem de arquivo).Foto: Joehawkins / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

Em 9 de outubro, a Polícia Federal (PF) pediu ao Ministério da Justiça que buscasse a ajuda dos Estados Unidos, informou a CNN Brasil. O objetivo é rastrear o dinheiro do caso Dark Horse. O caminho que a polícia quer seguir passa por um fundo no Texas. O caso envolve o candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro.

Cooperação jurídica internacional é o mecanismo pelo qual autoridades de um país pedem a outro documentos, dados bancários ou depoimentos. No Brasil, esses pedidos passam pelo Ministério da Justiça, que faz a ponte com o governo estrangeiro. Sem essa ponte, a PF não tem como obter, por conta própria, registros de bancos e empresas americanas. O pedido não é uma acusação: é um instrumento de apuração, usado quando a prova está fora do país.

Por que o dinheiro foi parar nos Estados Unidos

O caso nasceu de um acordo para financiar o filme Dark Horse, sobre Jair Bolsonaro. O banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, prometeu US$ 24 milhões, cerca de R$ 134 milhões. Quem negociou o dinheiro foi Flávio, segundo o Intercept Brasil.

Pelo menos US$ 10,6 milhões, cerca de R$ 61 milhões, foram pagos entre fevereiro e maio de 2025. O rastreamento posterior elevou o valor a US$ 12,3 milhões. O destino foi a Havengate, um fundo no Texas administrado por Paulo Calixto, advogado de Eduardo Bolsonaro.

A Havengate estava parada. Foi registrada em 2020 para um projeto imobiliário que nunca obteve licenças, segundo o Intercept. O primeiro pagamento do lado de Vorcaro chegou em 14 de fevereiro de 2025: US$ 2 milhões.

É por isso que a investigação precisa atravessar a fronteira. O que aconteceu com o dinheiro depois de chegar ao fundo está registrado em instituições americanas. Pela via oficial, esses dados dependem das autoridades americanas.

O buraco nas contas

A urgência tem um número. Segundo a PF, mais de US$ 12 milhões saíram do Brasil, mas só US$ 2,8 milhões têm registro de retorno. A polícia classificou a divergência como “severa”, relatou a DW, em texto publicado pelo O Povo.

Em outras palavras, menos de um quarto do dinheiro enviado tem volta documentada. Mais de US$ 9 milhões estão, por ora, sem registro de retorno ao país. A PF quer saber para onde foi esse restante.

Em 16 de outubro, a PF pediu mais 90 dias para concluir o inquérito, segundo a DW. Ainda não há decisão sobre o prazo extra.

O inquérito foi aberto em 22 de julho de 2026 pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). O pedido partiu da PF, com a concordância da Procuradoria-Geral da República (PGR), informou a Agência Brasil. Eduardo também é alvo.

As suspeitas são de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção. Evasão de divisas é o envio de dinheiro ao exterior sem declaração às autoridades. Lavagem é dar aparência legal a recursos de origem suspeita.

Em setembro, Mendonça homologou a delação premiada do doleiro Antônio Carlos Freixo Júnior, o “Mineiro”. Flávio é investigado, não réu: não há denúncia contra ele no caso.

O que diz Flávio Bolsonaro: ele afirma que o dinheiro de Vorcaro para o Dark Horse era privado e lícito e que o fato de ser senador não deu nada ao banqueiro. Atribui a diferença apontada pela PF a um contrato que não foi cumprido, segundo a CNN Brasil.

A resposta dos Estados Unidos pode demorar. Pedidos de cooperação internacional podem levar meses, e o eleitor dificilmente terá esse dado antes de 25 de outubro. Mas já sabe por que ele é necessário.

O dinheiro negociado por um candidato a presidente saiu do país para um fundo parado. Agora, a polícia brasileira precisa pedir ajuda a outro governo para descobrir para onde ele foi. Parte dessa resposta poderia vir do próprio candidato.

Em agosto, a Agência Lupa classificou como falsa a afirmação de Flávio de que os contratos e os dados do fundo já tinham sido mostrados. Na checagem de agosto, os papéis não tinham sido mostrados. Publicá-los não depende de nenhum governo estrangeiro.

Fontes