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Emendas Pix: como funcionam as transferências especiais e o que mudou

Criadas em 2019, as emendas Pix levam dinheiro direto ao caixa de cidades e estados; agora exigem plano de trabalho e conta bancária específica.

Autoridades de terno conversam em pé e sentadas atrás da mesa diretora do plenário do Senado, diante de poltronas azuis e arranjos de flores.
Mesa diretora da sessão solene do Congresso pelos 130 anos do Tribunal de Contas da União, no plenário do Senado, em Brasília, em 15 de fevereiro de 2023 (imagem de arquivo).Foto: Agência Senado / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

Em 29 de julho, o Tribunal de Contas da União (TCU) concluiu uma auditoria em 100 emendas Pix pagas entre 2020 e 2024. O tribunal encontrou irregularidades em 82% delas. O prejuízo potencial estimado é de R$ 49 milhões, cerca de um quarto dos R$ 198 milhões auditados.

Emenda Pix é o apelido da transferência especial. Ela foi criada pela Emenda Constitucional (EC) 105, de 2019, e está no artigo 166-A da Constituição. É um jeito de o deputado ou senador mandar parte de suas emendas individuais direto para o caixa de um estado ou de um município.

Como funciona

Na transferência especial, o dinheiro é repassado sem convênio. Convênio é o acordo em que a prefeitura detalha o projeto antes de receber a verba. Na emenda Pix, o recurso passa a pertencer ao estado ou ao município no momento da transferência.

A Constituição impõe limites. Pelo menos 70% do valor deve ir para despesas de capital, como obras e equipamentos. O dinheiro não pode pagar salários, aposentadorias, pensões nem dívidas.

O que mudou

Em agosto de 2024, o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), condicionou as emendas Pix à transparência e à rastreabilidade. Ele exigiu uma conta bancária exclusiva para esses recursos. Em dezembro de 2024, decidiu que, a partir de 2025, o pagamento só sai com um plano de trabalho apresentado antes.

A Lei Complementar 210, de novembro de 2024, também fixou regras. O parlamentar precisa informar o objeto e o valor ao indicar quem recebe. O estado ou o município deve cadastrar a conta específica no Transferegov.br, o sistema federal de transferências.

Em até 30 dias, quem recebe tem de informar ao seu Legislativo e aos tribunais de contas o valor, o plano de trabalho e o cronograma. Na prática, a prefeitura avisa a Câmara Municipal, o TCU e o tribunal de contas do estado ou do município. A lei manda dar ampla publicidade a essas informações.

O que a auditoria encontrou

Segundo o TCU, houve dinheiro movimentado fora da conta específica e falta de relatórios de gestão no Transferegov.br. Também apareceram pagamentos sem comprovação, fraudes em licitações e obras inacabadas. O tribunal mandou o Ministério da Gestão limitar alterações nos planos de trabalho das transferências de 2020 a 2024.

Em agosto, Dino mandou a Polícia Federal (PF) verificar se os achados do TCU indicam crimes. Ele também determinou que estados e municípios identifiquem as emendas com um código contábil padronizado a partir dos Orçamentos de 2027.

Como conferir na sua cidade

No Portal da Transparência, a área de emendas parlamentares separa as transferências especiais das demais. Dá para filtrar por ano, autor e localidade e ver quanto foi empenhado e pago. No Transferegov.br, a consulta de planos de ação das transferências especiais mostra o beneficiário, o valor e a situação do plano de trabalho.

O que diz o TCU: O tribunal informa que abriu processos de tomada de contas especial para recuperar valores que possam ter sido desviados. O Acórdão 2004/2026, relatado pelo ministro Walton Alencar Rodrigues, está no portal do TCU.

A emenda Pix é rápida para quem recebe, mas difícil de seguir depois. Por isso, o plano de trabalho é a principal ferramenta do contribuinte: ele diz no que o dinheiro deveria ser gasto. Se a prefeitura não o publicou, a Lei de Acesso à Informação permite pedir.

Fontes